sexta-feira, 10 de maio de 2019

Remédios fitoterápicos geram saúde e renda para moradores de Jardim Muribeca, em Jaboatão

População utiliza medicamentos feitos com produtos medicinais, preparados por mulheres que desejam complementar a renda. Médico local orienta sobre tratamento


No posto de saúde de Jardim Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, o atendimento do médico Pedro Costa ganha destaque entre os pacientes. Remédios fitoterápicos feitos com plantas medicinais estão entre os receitados pelo profissional e podem ser retirados no Centro de Saúde Alternativa (Cesam). O centro vem gerando renda e saúde para os moradores da área.

"A aceitação da população, uma vez que a gente explica, é boa. São [remédios] bem mais acessíveis, o preço é mais barato, e a gente consegue ter uma resposta mais adequada quando bem prescrito”, afirma o profissional de saúde.

Médico Pedro Costa receita remédios fitoterápicos para pacientes em Jardim Muribeca, em Jaboatão | Foto: Reprodução/TV Globo

A dona de casa Vanessa Lins, mãe de Valentina, de três anos, tem se sentido nervosa ultimamente. “Tenho problemas para dormir, fico me acordando direto e não estou dormindo direito”, afirma.

A indicação médica veio depois de uma conversa. “Vou prescrever extrato de mulungu, de 35 a 40 gotas à noite, aí você vai até o Cesam, que tem um pessoal que orienta”, diz o médico.

Ao lado dos prédios abandonados do Conjunto Muribeca, um espaço de 600 metros quadrados abriga quase todos os materiais usados nos remédios naturais. São extratos que saem de folhas, frutas e cascas de árvores, colhidos por seis mulheres que trabalham em cooperativa e conhecem os segredos das plantas.

Jardim de plantas medicinais fica ao lado de prédios abandonados do Conjunto Muribeca | Foto: Reprodução/TV Globo

“Não pode colher na chuva, não pode no sol quente, tem horário para isso”, diz Jeane Virgínia Lins, que participa das colheitas.

“Eu não levantava mais o braço. Agora posso fazer isso e não sinto nada. A minha diabetes ele controlou, a minha pressão ele controlou”, afirma o aposentado Vandinaldo José, depois de sessões de acupuntura.

O material é levado para um laboratório no primeiro andar do prédio principal, onde começa o processo de transformação das plantas em remédios. As folhas de azeitona, por exemplo, são lavadas com bucha e secadas naturalmente.

“Depois a gente seleciona as folhas, corta, pesa, bota na infusão. Tudo é pesado. Demoram uns 12 dias para ficar tudo pronto”, afirma a auxiliar de manipulação Marluce Santana. Além de tinturas, também são produzidos xaropes (lambedores) e produtos de higiene pessoal.

“A gente faz sabonetes, pomadas, xampus e coisas que são para beleza num dia diferenciado dos dias de lambedor e tintura”, explica a auxiliar de manipulação Arnailda Ferreira.

Plantas medicinais são colhidas por mulheres que desejam complementar a renda com venda de produtos fitoterápicos | Foto: Reprodução/TV Globo

Dessa produção, seis mulheres tiram dinheiro para complementar a renda de casa e garantem que os clientes sempre voltam. Alguns deles, à vontade, têm autonomia para pegar o que querem nas prateleiras.

“Venho comprar tintura de azeitona para fazer doação, principalmente para os meus vizinhos que têm diabetes. Eles controlam com essa tintura”, diz o aposentado João Batista.

Para o fisioterapeuta Alcides Silva, a vida do pai mudou depois de conhecer o Cesam. “Temos um oásis de medicações naturais no meio da cidade. E aqui é fantástico. Meu pai tomava medicações para depressão com orientação médica, nós trocamos pelo mulungu e hoje ele está muito bem”, diz.

O médico Pedro Costa, no entanto, faz um alerta sobre o uso de medicamentos fitoterápicos. “É importante ressaltar que não sejam usados de maneira inadequada. Tem que ser um tratamento sério e com a indicação adequada”, afirma.

Por: Léo Burgos | Fonte: G1