sexta-feira, 12 de abril de 2019

Pacientes com câncer protestam por falta de remédios que dura quase 2 meses na rede pública do AP

Medicamentos devem estar disponíveis até o dia 17 de abril, segundo Sesa

Grupo de pacientes da Unacon com cartazes em protesto contra a falta de medicamentos na unidade | Foto: Victor Vidigal/G1

Um mês após protestarem contra a falta de medicamentos para quimioterapia na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima (Hcal), pacientes voltaram a manifestar na manhã do dia 10 de abril pelo mesmo problema.

O grupo se reuniu em frente ao hospital de Macapá com cartazes demonstrando toda a indignação com o poder público. Além da falta de remédios, cirurgias estão sendo adiadas pela indisponibilidade de leitos.

A deficiência na rede pública atende pacientes como a Raimunda Viana, de 58 anos, que já teve a procedimento de retirada de um tumor adiado duas vezes este mês.

"A primeira cirurgia foi marcada no dia 4 de abril. Remarcaram para o dia 8 desse mês. E todas as duas não foram feitas por falta de leitos. É um situação degradante, porque o câncer é uma doença que não espera", disse com tristeza a motorista de ônibus, que trata um câncer no reto descoberto em dezembro de 2018.

Motorista de ônibus Raimunda Viana reivindica solução do problema | Foto: Victor Vidigal/G1

Os pacientes protestam contra a falta dos medicamentos Xeloda, Hidroxiuréia, Zoladex, Dacarbozina, Anastrozol, Cisplatina, Carboplatina e Tamoxifeno.

De acordo com o secretário de saúde do Amapá, Gastão Calandrini, um reunião com os fornecedores foi realizada, onde ficou acordado que até quarta-feira (17) a situação na unidade deve se normalizar.

"Nós tivemos um desabastecimento momentâneo na área da oncologia, mas a licitação e os empenhos já foram concluídos e nós fizemos uma reunião com os fornecedores e ficou fechado a entrega na sexta-feira [12] finalizando até quarta-feira [17]", destacou Calandrini.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), caso o acordo não seja cumprido os distribuidores irão ser notificados e punidos.

Hcal recebeu novo protesto na manhã desta quarta-feira (10) | Foto: Fabiana Figueiredo/G1

Após o manifesto ocorrido no mês de maio, a Sesa informou que os remédios já estariam a disposição em 20 dias úteis, mas a paciente Léa Learte, de 42 anos, relata que a promessa não foi cumprida.

"É humilhante a gente ter que vir até aqui para fazer esse tipo de protesto. Dia 11 de março a gente veio questionar a falta de remédios, eles deram o prazo de 20 dias úteis, nós aguardamos esse tempo e nenhuma resposta. Ninguém sabe falar uma previsão, não passam uma informação e a gente fica perdido. É uma grande falta de respeito", afirmou Léa, que precisa dos medicamentos Zoladex e Tamoxifeno.

O zelador Marcelo da Silva, por exemplo, foi diagnosticado com câncer no estômago em setembro de 2018. Ele iniciou a quimioterapia em fevereiro deste ano, entretanto, quando foi fazer a segunda sessão de tratamento, em março, o Xeloda não estava mais em estoque. O alto valor do remédio faz o trabalhador se preocupar com a recuperação.

"O preço desse remédio aqui em Macapá é R$ 3 mil. Mas eu que recebo um salário mínimo não tenho condição de comprar. Tem gente que vem fazer a 'quimio' e sai do hospital chorando por não fazer, já que é algo fundamental na cura do câncer. A gente se sente inútil", desabafa o homem, de 49 anos, que ainda precisa fazer 7 sessões de quimioterapia.

Marcelo da Silva busca tratamento de câncer no estômago | Foto: Victor Vidigal/G1

Por: Victor Vidigal | Fonte: G1