sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Pacientes têm dificuldades para marcar consultas e conseguir remédios em Sumaré

De acordo com relatório do Conselho Federal de Medicina, município é o único entre os dez maiores da região que investe menos do que a média nacional na saúde

Pacientes reclamam de fila para conseguir atendimento em Sumaré | Foto: Reprodução/EPTV

Pacientes de Sumaré (SP) têm dificuldades para marcar consultas e conseguir remédios de alto custo no município. A EPTV, afiliada da TV Globo, acompanhou um dia na rotina de pacientes que levantam no meio da madrugada para conseguir uma senha de atendimento com um médico e o drama de uma mãe que precisa tratar a hidrocefalia do filho.

O Conselho Federal de Medicina fez um levantamento para saber quanto cada cidade gasta com a saúde da população. Dos dez maiores municípios da região de Campinas (SP), Sumaré foi o único que teve resultado insatisfatório. A Prefeitura investe R$ 385 por habitante, sendo que a média nacional é de R$ 403 e a estadual é R$ 656,91. Os números são de 2017.

A fila para conseguir agendar consulta em uma unidade de saúde de Sumaré começa às 4h40. As necessidades são distintas, mas a revolta por conta do descaso com o atendimento da população é o mesmo.

"Eu já vim muitas vezes mais tarde e a gente não consegue marcar a consulta. São só 20 dias. É uma vergonha ter que levantar tão cedo para marcar uma consulta, podia marcar durante o dia todo. A gente paga tudo, mas não tem direito. Nunca melhora. Falta investimento", disse a aposentada Vilma Lucca.

A dona de casa Marlly Pereira sofre com a hidrocefalia do filho de oito anos. Ele precisa de um remédio que custa R$ 180, mas no momento ele está em falta. Ela também sofre com a falta de médicos e teve que esperar cinco anos por uma cirurgia no pé do garoto.

"Estou comprando o remédio, porque ele não pode ficar sem. Entre remédio e fralda eu gasto R$ 2 mil. Na saúde, você não acha médico, não acha remédio, se você está doente ou você paga, ou você morre, ou você vai atrás de ordem judicial", afirmou a mãe do garoto.

O que diz a Prefeitura

A Prefeitura de Sumaré informou, em nota oficial, que não concorda com o número apresentado e que houve um aumento no valor repassado. De acordo com a administração, a Secretaria de Saúde segue oferecendo serviços de saúde "humanizados e ágeis".

Em relação à fila no Centro de Saúde, o governo municipal explicou que trabalha com toda a capacidade do local e vai transferir parte dos pacientes para outras unidades. A Prefeitura também rebateu a falta de médicos e disse que, quando há necessidade de cirurgia, o encaminhamento é feito para o Hospital Estadual de Sumaré.

Por fim, a administração afirmou que o remédio necessário para o filho de Marlly é de responsabilidade do estado e "existem outros padronizados na rede". A reportagem não conseguiu contato com o governo estadual para confirmar a informação.

Por: EPTV 1 | Fonte: G1