quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

SUS não entrega remédio para câncer


Paciente que trata leucemia na Santa Casa de São Paulo está sem medicamento há mais de dez dias. Hospital culpa a secretaria estadual de Saúde, que joga a responsabilidade para o Ministério da Saúde. Casos se repetem na entrega de remédios para Esclerose Múltipla, Asma, Diabetes, Atrofia Muscular Espinhal e outras doenças graves.

Governo federal e governo paulista, mesmo sob nova gestão e orientação política, não resolvem o problema crônico da falta de distribuição de remédios pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Embora as novas gestões estejam no comando há somente 15 dias, a situação enfrentada por pessoas que precisam de tratamento contínuo, mas não recebem seus medicamentos, é bem mais antiga e bastante conhecida.

Para agravar o quadro, as instituições responsáveis pela distribuição dos remédios mantêm o jogo de empurra, enquanto pacientes aguardam por uma solução.

O #blogVencerLimites acompanha esse cenário com atenção e já publicou diversas reportagens com denúncias de pessoas que convivem com Esclerose Múltipla, Asma, Diabetes e Atrofia Muscular Espinhal. Em todas as histórias, a negligência se repete.

Rodney Oliveira Viana, de 30 anos, tem Leucemia Mielóide Crônica e faz tratamento desde julho de 2017, pelo SUS, na Santa Casa de São Paulo. Segundo Marcia Campos, esposa do paciente, a fase aguda da doença foi controlada com o uso contínuo do medicamento Nilotinibe (Tasigna 200MG), mas há dez dias a entrega do remédio foi interrompida.

“A Santa Casa nos informou que o problema é no Ministério da Saúde. Temos que ficar sempre ligando para saber se chegou, porque nunca tem previsão de entrega”, diz Marcia, que telefonou para o hospital mais uma vez nesta segunda-feira, 14/01. “Ainda não receberam o remédio. Meu marido continua sem tratamento”, ressalta.

“No mês passado ocorreu o mesmo problema. Levou mais de uma semana para chegar, Infelizmente, está acontecendo direto e o nosso medo é da doença, que é um câncer, se agravar novamente”, desabafa Marcia.

Respostas

Questionados pelo #blogVencerLimites, a Santa Casa de São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde de SP e o Ministério da Saúde transferem as responsabilidades. Leia as respostas enviadas por email.

SANTA CASA – “Informamos que o paciente Rodney Oliveira Viana fez a retirada da medicação Nilotinibe (Tasigna 200mg) no dia 10 de dezembro de 2018. A Secretaria da Saúde ainda não forneceu a cota referente a janeiro de 2019. Estamos aguardando resposta do órgão com a indicação da data de entrega da medicação. Assim que recebermos o produto em nossa farmácia o paciente será notificado para retirada”.

SECRETARIA DA SAÚDE DE SP – “A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informa que a compra e distribuição de medicamentos para tratamento de leucemia aos estados cabe ao Ministério da Saúde. O órgão federal, no entanto, entregou em 2018 quantitativos parciais e insuficientes para São Paulo.

Para atender os pacientes neste trimestre foram solicitados, no total, 166 mil comprimidos do medicamento Nilotinibe. Porém, o Ministério da Saúde aprovou quantitativos inferiores ao pedido – 69% do solicitado.

Embora a portaria federal estipulasse que a entrega total deveria ocorrer até 20 de dezembro do ano passado, o Ministério da Saúde efetuou a entrega completa dos remédios no dia 11 de janeiro.

A Secretaria de Estado da Saúde concentra esforços para atender os pacientes, fazendo planejamento rigoroso de estoques e remanejamentos, quando há possibilidade, e espera que o governo federal forneça os quantitativos o quanto antes, para assegurar a continuidade da assistência aos pacientes”.

MINISTÉRIO DA SAÚDE – “O Ministério da Saúde esclarece que, em 2018, foram encaminhados 103.712 unidades do medicamentos para atendimento dos pacientes em São Paulo. Novo quantitativo deve ser enviado até o final desta semana (resposta em 9 de janeiro) à Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. O Ministério da Saúde reforça que a distribuição do medicamento às unidades dispensadoras é de responsabilidade das Secretarias Estaduais de Saúde”.

Por: Luiz Alexandre Souza Ventura | Fonte: Estadão / Blog Vencer Limites