quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Falta de remédio em farmácias do SUS é problema constante há meses em MG

Rotina de pacientes é chegar a unidades e voltar sem medicamentos

Mais de 1/3 dos medicamentos de alto custo do SUS estão em falta em Minas

Os pacientes que precisam de remédios fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais muitas vezes ficam sem o medicamento. Hoje, mais de um terço dos medicamentos de alto custo, fornecidos pelo programa Farmácia de Todos, estão em falta no estado.

A Secretaria Estadual de Saúde informou que 77 dos 218 remédios especializados, os de alto custo, estão em falta. E até remédios mais simples usados, por exemplo, para controle do colesterol também estão em falta.

O aposentado Maurício Silva Vítor Amaral já entrou desanimado na farmácia de Minas nesta segunda-feira (14), sabendo que o "não" seria a resposta para o que ele foi buscar – o Tracolimo, que é um medicamento usado para evitar a rejeição de órgãos em transplantados.

“É um paradoxo, você faz um transplante e não tem medicamento. Tem que ter o medicamento, é importante para o paciente, não pode faltar”, protestou. Segundo ele, o remédio está em falta há mais de 20 dias.

A gerente Luciana Costa foi à farmácia atrás de um remédio imunossupressor para mãe que há pouco tempo recebeu um rim, e precisa dele para ter alta do hospital.

“O que deveria ser prioridade total do governo não só para esse perfil de paciente, mas para as pessoas. Isso aqui é uma questão de vida ou morte, o sucesso ou não de um tratamento extremamente importante”, pontuou.

A situação também é complicada para quem tem ordem da Justiça obrigando o estado a pagar pelo medicamento. São geralmente remédios muito caros. Tem paciente que está indo à Farmácia Judicial há mais de 3 meses e vai embora sem o medicamento.

Thomaz Rafael Boaventura precisa usar todo mês uma injeção de Paliperidona que custa em torno de R$ 2,8 mil. O jovem diz que está há quase 4 meses sem o medicamento que é para o controle da esquizofrenia. “A gente tem que substituir por outros medicamentos, não é a mesma coisa. E aí quem sofre é a gente, que está passando por isso”.

A espera da aposentada Elenice Maia é ainda maior. Desde setembro, ela está sem o medicamento para tratar a osteoporose. “Agora eu vou comprar e vejo se consigo receber da Justiça, que eu acho muito difícil”.

Sobre a proposta da nova gestão dos medicamentos distribuídos pelo Farmácia de Todos, a Secretaria Estadual de Saúde informou que o governo está fazendo uma análise da situação financeira do estado e que assim que for possível dará informações precisas e transparentes sobre mudanças no programa de assistência farmacêutica.

Fonte: G1