sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Pacientes relatam dificuldades com falta de remédios de alto custo no Alto Tietê

Unidade da Farmácia de Medicamentos Excepcionais de Mogi das Cruzes atende a cerca de 15 pacientes da região que estão cadastrados para receberem este tipo de medicamento

Pacientes afirmam que faltam remédio na farmácia de alto custo de Mogi das Cruzes. | Foto: Reprodução/TV Diário

Pacientes que precisam dos medicamentos excepcionais, encontrados nas farmácias de alto custo, têm enfrentado dificuldades para consegui-los no Alto Tietê. Na unidade de Mogi das Cruzes, todos os dias, dezenas de pessoas saem frustradas por não conseguir a medicação para manter o tratamento. E, para muitos, é impossível arcar com o custo.

A epilepsia impede há mais de 20 anos um homem que prefere não se identificar de trabalhar. Para controlar as crises que aparecem a qualquer momento, ele depende dos medicamentos de uso controlado.

O lamotrigina de 50 e 100 miligramas e o urbanil clobazam, que ele deveria retirar uma vez por mês em Mogi das Cruzes. O problema é que ele alega que esses remédios sempre estão em falta.

“Toda vez que a gente tem retorno, o medicamento não aparece. Tentamos entrar em contato, nunca conseguimos, porque não tem telefone. Eles fazem a gente ir até eles, para responder que não tem, e a gente volta para casa. Tem que pagar condução e aí sai mais caro ainda. Se juntar todas as vezes que a gente aparece e não tem medicamento, dava para comprar uma.

A Farmácia de Medicamentos Excepcionais é um programa da Secretaria de Saúde do Estado. A unidade de Mogi atende a cerca de 15 mil pacientes cadastrados no Alto Tietê.

Uma funcionária da farmácia, que não quis se identificar, confirmou que faltam muitos medicamentos, principalmente para asma e osteoporose.

Remédio para hepatite, doença que o governo federal faz tanta campanha de prevenção, já não tem há muito tempo. Ou seja, para a maioria das pessoas que vai em busca de um medicamento é uma viagem perdida.

“É difícil porque o meu marido é autônomo, eu estou desempregada. A gente não tem condições de ficar gastando. Eu fico frustrada e sem expectativa”, conta a dona de casa Ana Lúcia de Oliveira, moradora de Suzano.

Com enfizema pulmonar, o eletricista Valdete Leal Ferreira foi à unidade em busca do formoterol, mas também está em falta. “Me mandou voltar no final do mês para ver se chegou. Aí só em janeiro. Até lá eu tenho que me virar para comprar outro”, disse.

A dona de casa Maria de Oliveira tem fortes crises de asma e mora em Ferraz de Vasconcelos. Ela voltou pra casa sem o remédio que tanto precisa. “É muito difícil, porque quando chega no final do mês que paga as contas, tem que ficar sem a comida para poder comprar o remédio. Nos postos não tem remédio e nem médico. Eu não tenho como comprar o remédio”, enfatizou.

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde disse que o medicamento formoterol, para o tratamento de asma e problemas nos pulmões, como enfizema, está em processo de compra.

Sobre o medicamento para tratar a hepatite, a secretaria disse que a distribuição do daclatasvir é de responsabilidade do Ministério da Saúde, que informou que em novembro foi feito um pregão emergencial e foram adquiridos 15 mil tratamentos.

Sobre os dois medicamentos usados pelo senhor que sofre de epilepsia, a secretaria disse que o lamotrigina e o urbanil clobazam já estão com abastecimento regularizado.

A Secretaria Estadual da Saúde informou que o Sistema Único de Saúde distribui mais de mil tipos de medicamentos no estado.

Para atender aos pacientes cadastrados, é feito um planejamento periódico dos estoques, com base no consumo e mais uma margem de segurança, a fim de garantir que a unidade tenha estoque até que seja abastecida pela próxima compra.

A Farmácia de Medicamentos Excepcionais em Mogi das Cruzes funciona de segunda a sexta-feira das 8h às 16h. Além do atendimento presencial, a farmácia faz 300 atendimentos telefônicos por dia. O telefone é o 4790-1122.

Por: William Tanida | Fonte: G1