terça-feira, 6 de novembro de 2018

Pacientes com câncer sofrem com falta de remédios em hospitais federais no Rio

O medicamento que pode custar até R$2 mil reais em uma farmácia comum não tem previsão para chegar nas unidades federais do Estado do Rio


Pacientes com câncer sofrem com a falta de remédios para tratar a doença nos hospitais federais do Estado do Rio de Janeiro.

O paciente Martinho dos Santos foi diagnosticado com câncer de próstata avançado, mas teve o tratamento interrompido, devido à falta de remédio no Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio. Martinho diz que sofre, já que pode perder a vida se não continuar o tratamento.

“Difícil, muito difícil. É preocupante. Esse remédio não vai me dar a cura, mas ele vai prolongar a minha vida mais um pouco.

Entre as duas opções de medicamentos receitadas pelo médico, há 12 dias, nenhuma estava disponível na farmácia do Hospital do Andaraí, na manhã desta segunda-feira (5). Martinho disse que o Hospital informou que entraria em contato assim que o remédio chegasse, mas até o momento esse contato não aconteceu, para desespero dele.

Assim como Martinho, o paciente Alberto Pereira também sofre com o descaso e a falta de remédio para tratar o câncer de próstata. O idoso diz que a sensação é de desespero, e a falta do tratamento diminui a esperança de lutar pela vida.

"A falta dessa medicação significa para mim que eu estou indo embora, estou me despedindo da vida sem pelo menos ter a chance de lutar pela minha vida", lamentou Alberto.

O paciente, ainda ressaltou, que no mês escolhido para atentar a população sobre a doença, o “novembro azul”, os pacientes sofrem por não conseguir fazer o tratamento adequado.

O remédio, que pode custar até R$ 2 mil em uma farmácia comum, impede que o câncer avance e pode decidir a vida de um paciente. Josiane Ribeiro, filha de Martinho, disse que a despesa com o medicamento pode ser muito grande, caso o paciente precise pagar por ele.

"Mesmo que venda tem que ser agendado com a direção do Hospital para tomar aqui, porque não pode aplicar em qualquer lugar. E aí, de três em três meses você dispor desse valor é um peso muito grande no orçamento", ressaltou Josiane.

No Hospital dos Sevidores, no Centro do Rio, pacientes também denunciaram a falta de remédios para o tratamento do câncer.

José Augusto de Albuquerque tem câncer no pulmão e está sem o remédio desde abril. Segundo Aline Campos, filha de José Augusto, a situação do pai só piorou desde quando ele parou de tomar o medicamento, e que o hospital informou que não tem previsão de quando o remédio vai estar disponível na unidade.

“Está em processo de compra e não tem previsão de chegada. A gente está sofrendo muito. É um descaso, é nosso direito. A gente paga imposto para quê? Para morrer?”, questionou Aline, que sofre com a piora do pai.

Por: RJ1 | Fonte: G1