sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Portugal: falhas nas farmácias deixam 45 milhões de medicamentos em falta

Nos primeiros nove meses do ano, faltaram 45 milhões de medicamentos nas farmácias portuguesas, o que corresponde a um aumento de 28% face ao período homólogo no ano passado


Ao todo, foram 45,1 milhões de medicamentos que faltaram nas farmácias do país — muitos dos quais receitados pelos médicos e alguns considerados essenciais pela Organização Mundial de Saúde. As falhas correspondem a um aumento de 28% face ao mesmo período de 2017, nos primeiros nove meses deste ano, como avança o Jornal de Notícias, na edição desta terça-feira.

Por falta de liquidez e porque o abastecimento do mercado é irregular, as ruturas de stock nas prateleiras são cada vez mais frequentes, sendo que as farmácias têm dificuldades crescentes em responder às necessidades dos doentes no momento, que acabam por ter de fazer várias deslocações para comprar os medicamentos que o médico receitou.

Este é um problema que afeta todo o tipo de medicamentos, sejam de marca ou genéricos. Só em setembro, foram reportadas cerca de 6,3 milhões de embalagens em falta (mais 42% do que em setembro de 2017) por 1.949 farmácias, segundo o último relatório do Observatório dos Medicamentos em Falta do Centro de Estudos e Avaliação em Saúde (Cefar) da Associação Nacional das Farmárcias (ANF).

Mas, para compensar as ruturas de stock, a substituição de embalagens tem de ser feita; essa alternativa traz consigo alguns inconvenientes, como o transtorno das viagens à farmácia e o risco de confusão na toma do medicamento. Segundo Luís Martins, diretor do Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, são situações que poderiam ser evitadas, caso o sistema de prescrição eletrónica de medicamentos alertasse os médicos para as faltas no momento em que estão a passar a receita.

Além disso, registaram-se 277 mil faltas em setembro do Sinemet, medicamento para tratamento da doença de Parkinson, o que provocou bastante angústia nos doentes. Neste sentido, o Infarmed dedicou prioridade máxima ao caso e garantiu que o mercado está a ser abastecido com alternativas.

Por sua vez, a presidente do Infarmed, Maria do Céu Machado, afirmou numa conferência de imprensa realizada em setembro que “a interrupção do tratamento pode ser ainda mais grave do que a própria doença”, garantindo assim que não haveria falhas de tratamento em Portugal.

Recorde-se que o Infarmed recebe, em média, por semana a notificação de 30 ruturas de curta duração, seis de impacto médio e outras seis de impacto elevado.

Fonte: Observador