segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Falta de medicamentos de alto custo põe em risco a vida de pacientes na região de Bauru

Diabéticos e transplantados são os mais ameaçados com a situação, segundo afirma uma médica. Farmácia localizada no Hospital Estadual mantém lista atualizada diariamente com cerca de 40 remédios em falta

Lista afixada na farmácia de alto custo do Hospital Estadual de Bauru mostra os medicamentos em falta e é atualizada diariamente | Fotos: TV TEM/Reprodução

A falta de vários medicamentos de alto custo que são distribuídos pelo Estado vem prejudicando o tratamento e colocando em risco a saúde de centenas de pacientes da região de Bauru (SP).

Um dos exemplos mais preocupantes é a insulina do diabetes tipo 2, medicamento que está em falta há pelo menos cinco meses. Nem mesmo com ordem judicial o remédio é fornecido regularmente.

A reportagem da TV TEM encontrou dois pacientes que sofrem com este tipo de diabete e estão sem receber a insulina há meses. Ambos têm ações judiciais, mas só receberam as doses depois que o Estado foi informado pela reportagem sobre a situação.

Os medicamentos são retirados na farmácia de alto custo do Hospital Estadual de Bauru (HEB). Todos os dias há uma lista afixada ao lado da farmácia com os remédios que estão em falta. Em média, são cerca de 40 medicamentos na lista.

A médica endocrinologista Nancy Bueno Figueiredo lembra que, além do diabetes, pacientes que fizeram transplantes também correm sérios riscos porque também estão em falta os chamados imunossupressores, medicamentos que impedem a rejeição ao órgão recebido.

“Há medicamentos cuja falta é menos grave, aqueles que se o paciente ficar uma semana não vão ter risco. Mas se um transplantado ficar sem os imunossupressores há o risco de perda do enxerto [órgão transplantado]”, explica a médica.

Médica endocrinologista Nancy Bueno Figueiredo lembra que transplantados podem até perder o órgão recebido

O Ministério Público (MP) tem acompanhado a situação. O promotor Enilson Komono já instaurou um procedimento para apurar os prejuízos causados aos pacientes e responsabilizar o estado.

Em nota, o Departamento Regional de Saúde informou que, apesar de haver um planejamento, alguns fatores como atraso na entrega ou aumento inesperado de demanda podem ocasionar o desabastecimento.

Também em nota, o Ministério da Saúde informou que os dez medicamentos de responsabilidade do governo federal já estão em fase de envio ou licitação para compra.

Fonte: G1