domingo, 23 de setembro de 2018

Pará: diabéticos reclamam da falta de insulina nos centros de distribuição da capital e acionam o Ministério Público

Segundo a Associação dos Diabéticos, cerca de 3.000 pessoas dependem da insulina distribuída pela Prefeitura de Belém


Pacientes que sofrem com o diabetes reclamam da falta de medicamentos no centro de distribuição na capital. Três tipos de insulina estão em falta, um risco para a saúde de quem não pode interromper o tratamento segundo a Associação dos Diabéticos do Pará. Em Belém, a medicação é fornecida pela prefeitura, mas, segundo a associação, os medicamentos não estão sendo distribuídos há pelo menos três semanas. A associação pediu providências ao Ministério Público Federal.

A insulina é o remédio para controlar os níveis de glicose no sangue de quem é diabético. O paciente pode ficar sonolento, indisposto e perder peso se o tratamento for interrompido. Por telefone, uma atendente confirma à reportagem que três tipos de insulina estão em falta: “não tem Lantus, não tem Tresiba, nem Humalog. Tá em falta. A gente tá esperando pela Sesma”.

“É inadmissível que o grupo de pacientes diabéticos fique sem insulina disponível no mercado. Isso não pode acontecer. É um risco muito alto para a saúde e risco de morte para os pacientes diabéticos tipo 1”, diz o endocrinologista Antônio Conceição.

Segundo a Associação dos Diabéticos, cerca de 3.000 pessoas dependem da insulina distribuída pela Prefeitura de Belém. Disse ainda que a irregularidade na entrega dos medicamentos é frequente. “Eu espero que o MPF tome uma medida enérgica com relação a isso. Tem que haver um planejamento para a compra desses medicamentos!”, diz o representante da Associação dos Diabéticos do Pará Wendel Bueres.

Em 2016 a Justiça determinou que a Prefeitura de Belém fornecesse insulina para os pacientes. Este ano, Estado e Município foram chamados para uma audiência porque não estavam cumprindo a determinação. O procurador da República Marcelo Santos Corrêa disse que vai acionar a Justiça. “E inclusive pedir medidas judiciais com relação a isso, com a culminação de multa ou até mesmo sequestro das contas municipais e estaduais para que haja efetivamente o cumprimento da decisão coma compra das insulinas e dos insumos”, disse.

Alcilene de Souza é diabética e toma insulina todos os dias. E sofre quando fica sem o medicamento. “Nós temos uma série de reações. Sede excessiva, tem gente que fica tonta. Eu já fiquei hospitalizada pela falta do medicamento”, diz a paciente.

A insulina vem em canetinhas e custa caro: mais de R$ 100. Alcilene usa duas por mês. Ela diz que a medicação já vai acabar e que passou a injetar menos insulina no corpo para economizar. “Por medo de faltar. Por isso que eu regro”, diz.

Fonte: G1