segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Mães de autistas denunciam falta de medicamento distribuído pelo SUS em AL

Segundo as mães, remédio é essencial para as crianças com autismo e muitas delas não têm condições de comprá-lo


Mães de crianças autistas denunciaram ao G1 nesta terça-feira (11) que um medicamento essencial para crianças com a doença, o Risperidon, está em falta nas unidades de saúde de Maceió há meses.

De acordo com as mães, o medicamento serve para acalmar as crianças, já que muitas vezes elas ficam agressivas, agitadas e não conseguem dormir. Para não verem os filhos dessa forma, elas acabam tendo que comprar, mas muitas delas não têm condições financeiras para isso.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Maceió (SMS) informou que a Coordenação de Farmácia e Bioquímica está aguardando a finalização do processo licitatório para a aquisição do medicamento Risperidona e que em breve as unidades do município serão abastecidas.

“[O remédio] custa cerca de R$ 50, e eu tenho que comprar três caixas por mês. É complicado, tem mães que não têm condições de comprar e chegam a diminuir a dose para que eles [crianças] não fiquem sem. É um medicamento essencial, tem mães que não podem levar as crianças nem para o tratamento, porque sem o medicamento elas ficam agressivas”, explica Lara Andrade, mãe do pequeno Antony.

Apesar da dificuldade de sair com os filhos sozinhas e em transportes públicos, as mães relatam que já foram a unidades de saúde de diferentes bairros de Maceió em busca do medicamento, mas sempre são encaminhadas para outro local.

“Há quatro meses que eu não consigo pegar esse remédio. Já fui no José Tenório, São Jorge, Chã da Jaqueira, Ib Gatto [Falcão] e eles sempre falam que está chegando e que é para eu voltar outro dia. E assim eu tenho que comprar, meu filho toma nove vidros por mês, e eu vou comprando no cartão. Só Deus sabe o que eu estou devendo, e eu só vivo com a aposentadoria dele [filho], para tudo”, disse Adriana Silva, mãe do Edilan Oliveira, de 11 anos.

O problema não se restringe a Maceió. De acordo com Patrícia, mãe do Kauã, de 4 anos, nenhuma das unidades de saúde de Rio Largo fornece o remédio.

“Eles não têm aqui em Rio Largo e eu não posso nem pegar em Maceió porque a receita [médica] é daqui. Teve uma vez que ele ficou cinco dias sem a medicação e ficou muito agressivo, eu estava sem dinheiro, mas tive que me virar. Peço emprestado, pego com alguém”, afirmou.

A reportagem tenta contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura de Rio Largo, para pegar um posicionamento sobre a distribuição do medicamento.

Segundo Patrícia Ferreira, ela já tentou até levar Kauã para pegar uma receita médica em Maceió, mas se tornou uma missão impossível.

“Para ir para Maceió ele fica muito agitado, me morde, porque os ônibus e as vans são lotados. Eu não tinha suporte e não consegui mais levar ele”, conta.

Uma das saídas que algumas mães encontraram foi dar o medicamento em comprimido, já que as vezes elas conseguem encontrar com mais facilidade. Foi o que fez Raquel Melo, mãe do Walison, de 7 anos.

“Quando o medicamento falta eu pego em comprimido, ele tem reações, mas eu tenho que dar. Com ele, o líquido faz efeito e o comprimido faz com que ele fique mais agitado ainda. O comprimido não é para todos”, relata.

Fonte: G1