terça-feira, 10 de julho de 2018

Pacientes do Ophir Loyola com câncer reclamam da falta de medicamentos importantes no tratamento

O Ministério Público disse que pediu esclarecimentos à Secretaria de Saúde do Estado e ao Ophir Loyola para saber porque estão faltando medicamentos como Taxol e Sutent para os pacientes


Afalta de medicamentos no hospital Hophir Loyola em Belém tem atrasado o tratamento de pacientes que lutam contra o câncer, denunciam os próprios pacientes. Nessa luta, o tempo é um fator importante e faz toda a diferença no tratamento. O Ministério Público disse que pediu esclarecimentos à Secretaria de Saúde do Estado e ao Ophir Loyola para saber porque estão faltando medicamentos como Taxol e Sutent.

O Ministério Público também disse que solicitou providências para garantir o fornecimento do medicamento aos pacientes. A paciente Silvia Costa, por exemplo, chegou a fazer uma sessão de quimioterapia, mas outras duas sessões foram canceladas pala falta do medicamento Taxol. E essa interrupção no tratamento prejudica a recuperação dela.

Silvia conta que retirou um tumor maligno da bexiga em 2016, mas o câncer reapareceu este ano. Ela diz que vem sentindo muitas dores nos últimos dias. “É muito angustiante essa situação”, diz. “Eu ligo pra lá e eles dizem que não tem a medicação e que é pra eu ligar no dia seguinte”, relata.

Já o paciente Carlos Sales tem câncer nos rins e diz que na farmácia do hospital não tem o medicamento Sutent, que ele precisa tomar para se tratar. “Simplesmente ninguém sabe informar nada”, denuncia.

Mês passado o paciente Alderlan, de 27 anos, diagnosticado com um tipo raro de leucemia, foi obrigado a interromper a quimioterapia porque necessitava de um medicamento que estava em falta, o Asparaginase. Ele precisava concluir o tratamento para receber a medula óssea da irmã, mas morreu sem ter tido a chance de fazer o transplante.

Belina Soares, que integra um grupo de entidades ligadas à saúde que fazem inspeções periódicas nos hospitais e unidades de pronto atendimento de Belém, diz que o Inspeção Cidadã vai fazer uma vistoria ao Ophir Loyola ainda este mês. “Segundo as denúncias dos pacientes, a falta de medicamentos está sendo constante lá”, diz.

A próxima sessão de quimioterapia de Silvia Costa está marcada para esta sexta-feira (13). Ela está preocupada e sem saber o que fazer. “Eu me dopo com analgésicos fortíssimos para conseguir dormir e esquecer do mundo”, diz.

Até o momento a reportagem não recebeu nenhuma resposta do hospital Ophir Loyola. O Ministério Público Federal do Pará informou que está apurando o caso e já solicitou esclarecimentos da Sespa, do hospital Ophir Loyola e do Ministério da Saúde.

Por: G1 PA, Belém | Fonte: G1