terça-feira, 15 de maio de 2018

Pacientes renais crônicos e transplantados estão sem medicamentos há 2 meses

Associação diz que pacientes correm risco de morte e denuncia situação ao Ministério Público Estadual

Pacientes renais crônicos enfrentam problemas com falta de medicamentos

Pacientes transplantados estão sem medicamentos há pelo menos dois meses, segundo a Associação dos Doentes Renais Crônicos e Transplantados de Dourados (Renassul). De acordo com o presidente da entidade, Feliciano Paiva, desde março, ou seja, os medicamentos Azatiaprina e Ciclosporina de 100 mg não são fornecidos na rede estadual. Por causa disso, a Associação vai formalizar denúncia ao Ministério Público Estadual. Segundo Feliciano, há cerca de 1 ano o medicamento não chega de forma regular, o que motivou diversas comunicações para a Promotoria de Justiça em Dourados.

De acordo com José Feliciano, não há uma regularidade na distribuição dos medicamentos. Além dos atrasos, os pacientes não recebem a quantidade de medicamento suficiente e recomendada pelo médico. "Quando falta o Ciclosporina de 100 mg, o paciente é orientado a tomar quatro comprimidos na dosagem de 50 miligramas, que não tem faltado na rede pública. O problema é que o paciente que toma dois medicamentos de 100 miligramas ao dia, não recebe quatro comprimidos de 50 mg para substituir. Ele recebe apenas dois, ou seja metade da dosagem recomendada", destaca.

Segundo Feliciano, tratam-se de remédios de alto custo que dificilmente são encontrados para venda nas farmácias e os valores podem chegar a R$ 600,00 no caso da Ciclosporina. "Cada caixa com 50 comprimidos não dá para 30 dias porque o paciente, na maioria dos casos, toma dois por dia. É um custo alto para as pessoas que hoje ganham apenas um salário mínimo", destaca.

No caso do Ciclosporina, é um medicamento imunossupressor que atua controlando o sistema de defesa do organismo, sendo utilizado para evitar a rejeição de órgãos transplantados. "A situação é gravíssima. Quando o paciente não toma o medicamento, corre o risco do corpo começar agir e rejeitar o rim transplantado. Com isso, o paciente pode perder o órgão e ter que voltar para uma máquina de hemodiálise. Isso, se ele não morrer.", lamenta.

O professor universitário Fernando Augusto Alves Mendes, fez um transplante renal em 2002 e desde então, necessita tomar um remédio chamado Ciclosporina 100mg. O remédio é de uso contínuo (1 comprimido ao dia) e cada caixa custa entre R$ 430,00 a 500,00. No ano passado, ele ficou 5 meses sem receber o medicamento e só conseguiu se manter porque custeou algumas caixas e tinha outras "de reserva" (do tempo em que passou internado). Agora, em abril, o problema voltou a acontecer e ele não recebeu o medicamento e está preocupado.

O paciente contou que no ano passado ficou há cinco meses ele não recebe o medicamento. Para não ficar sem, ele comprou pela internet, tendo em vista que o produto não é facilmente encontrado nas farmácias. "Tendo em vista a quantidade de impostos que pagamos, é revoltante não receber serviços básicos", lamentou na época.

Calvário

O presidente da Associação José Feliciano de Paiva disse ainda que considera a falta de distribuição do medicamento como um descaso com a saúde pública. " A Associação já chegou a buscar com familiares de pacientes que morreram, para ver se sobraram alguns comprimidos para doar de tão crítica que é a situação, além de humilhante. Mais de 40 pessoas são transplantadas em Dourados, boa parte dessas estão sem o remédio e cada dia que passa pode ser uma vida que estamos perdendo. Precisamos de uma resposta urgente", explica.

Outro lado

A redação entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Saúde do Governo do Estado, que até o fechamento dessa edição não se manifestou acerca do problema.