terça-feira, 29 de maio de 2018

Medicamentos começam a chegar a hospitais, mas em pouca quantidade

Hospital da Unicamp cancelou transplante de fígado por falta de bolsas de sangue. No DF, todos os postos de saúde estão fechados


Apesar de alguns caminhões com medicamentos passarem pelos bloqueios, o que chega aos hospitais não é suficiente.

O Hospital das Clínicas da Unicamp cancelou, nesta segunda-feira (28), um transplante de fígado por falta de bolsas de sangue. Os doadores não estão conseguindo chegar ao hospital em Campinas.

Já no Tocantins, são os pacientes que estão parados no caminho. A avó saiu do Pará e está tentando ir até Palmas para socorrer a netinha: “Nós estamos sem combustível, nós estamos no meio da estrada e estamos pedindo socorro”.

A dona de casa Eliane Francisco está esperando desde março por uma cirurgia para a retirada de dois miomas. Achou que seria nesta segunda. Mas o hospital Gaffrée Guinle, no Rio, mandou a paciente de volta para casa. “Frustrada, né? Porque eu sinto muitas dores, eu estou dormindo praticamente sentada. Achei que eu ia poder resolver”, lamenta.

Na capital do país, todos os postos de saúde estão fechados. Alguns hospitais de Brasília também cancelaram consultas e atendimentos.

Em João Pessoa, um hospital público cortou a alimentação de funcionários e dos acompanhantes para não faltar comida para os pacientes.

Por todo o país, medidas de emergência estão sendo tomadas para abastecer os hospitais.

Dois aviões da Força Aérea Brasileira levaram, nesta segunda, 16 toneladas de remédio de Montes Claros para Recife, na chamada Operação São Cristóvão.

A crise chegou aos hospitais particulares. A associação nacional da categoria diz que a situação é crítica em muitas cidades.

“Nós estamos recebendo uma quantidade pequena de insumos e materiais. Então vai depender muito da colaboração dessa greve de deixar, permitir, o acesso de materiais para os hospitais para a gente poder funcionar adequadamente”, diz o presidente da associação, Eduardo Amaro.

No Hemorio, o maior serviço de coleta de sangue do Rio de Janeiro, não faltam materiais. Agulhas, bolsas, tubos e luvas estão garantidos no estoque. Mas falta o principal, o doador, que não está conseguindo chegar por falta de transporte. No ritmo atual, o estoque só dura por mais cinco dias.

“Ontem eu estava na estrada de moto, na estrada, sem gasolina, e dependi de doação de gasolina. Hoje eu estou pagando, doando sangue", disse um doador que estava no local, o fotógrafo Rogério Borges.

Uma clínica de hemodiálise no Rio chegou a receber material, que já está acabando de novo. Os caminhões até passaram pelos bloqueios, mas a fábrica interrompeu a produção.

“Hoje a fábrica fechou justamente por falta de matéria-prima, por falta de funcionário, por falta de alimento para os funcionários”, diz a médica Ana Beatriz Barra.

Seu José depende desse tratamento há 11 anos. Nunca imaginou que a máquina que lhe dá forças também corresse o risco de fraquejar: “Estou preocupado, estou extremamente preocupado. Porque se ela não funcionar... Se meu anjo da guarda bater asas, eu me vou. Então, estou apreensivo”.