quarta-feira, 21 de março de 2018

Há 20 anos, Viagra mudava paradigma da disfunção erétil

Droga foi criada originalmente para um tipo de dor no peito, mas apresentava um poderoso efeito colateral


É esse caráter inusual que fez a trajetória do Viagra, lançado há 20 anos, ficar famosa. Um exemplo de remédio que mirou no que viu e acertou no que não viu.

Quando a droga foi aprovada em todo o mundo após quase uma década de testes, o tratamento para a então impotência era limitado a bombas de vácuo, injeções no pênis e implantes em casos de origem orgânica ou psicoterapia quando havia fundo emocional.

Uma droga oral que tratasse o problema de forma menos invasiva e mais discreta parecia sonho distante para urologistas e pacientes. Quem poderia acreditar que, com uma ação simples - o bloqueio do funcionamento de uma enzima, a fosfodiesterase do tipo 5, ou PDE5 -, viria o tratamento da doença que afeta cerca de 50% dos homens acima dos 40 anos?

De início, a sildenafila (princípio ativo do Viagra e inicialmente conhecida como UK-92480 nos arquivos da farmacêutica Pfizer) precisou vencer a desconfiança dos médicos para provar a que veio. Fisiologicamente, a ereção, sua manutenção, o desejo sexual e o prazer dependem de inúmeros mecanismos celulares e bioquímicos.

O Viagra - assim como drogas da mesma classe que viriam depois, como Cialis e Levitra - age, a princípio, em um único ponto de toda essa complexidade, relaxando a musculatura interna dos corpos cavernosos e permitindo a entrada de sangue. Os benefícios, como se sabe, vão muito além: os pacientes reportam melhor qualidade de orgasmo, mais desejo sexual e satisfação pessoal.

Resultados

Um dos responsáveis por esse feito, o químico, médico e consultor britânico Ian Osterloh, começou a trabalhar na Pfizer em meados da década de 80, quando a UK-92480 ainda era só um palpite para o tratamento de angina, condição dolorida causada pelo estreitamento das artérias coronárias, que irrigam o coração.

A droga não fazia nem cócegas na desobstrução desses vasos, mas alguns pacientes do País de Gales, onde testes foram conduzidos, reportaram melhoria de suas ereções. "Ninguém conseguia entender como uma droga, especialmente uma que expande vasos sanguíneos, poderia agir no pênis sem ter grande efeito em outras partes do corpo", disse Osterloh à reportagem.

Ele, que passou a integrar a equipe responsável pelos estudos clínicos do Viagra em 1993 e os liderou a partir de 1994, viu que os resultados do testes só melhoravam. "Geralmente, no desenvolvimento de drogas, as expectativas começam lá no alto e, depois, têm de ser rebaixadas - ou porque o tratamento não é tão efetivo ou porque ele é contraindicado pra alguns pacientes ou por causa dos efeitos colaterais."

Mas nada disso valia para o futuro blockbuster da indústria farmacêutica. A ação da droga em disfunções eréteis com as mais diversas causas mudou o paradigma e a imagem da doença. "Na década de 1990, poucos pacientes chegavam e diziam: 'doutor, estou impotente'. Eles passaram não só a dizer que tinham o problema mas também sabiam que havia remédio para tomar", diz Carlos Da Ros, da Sociedade Brasileira de Urologia.

Ele diz que, hoje, a variedade de drogas pode beneficiar homens de perfis diversos - há opções indicadas para os que precisam da droga em um momento esporádico e programado, e outras, de uso diário, para quem quer estar preparado para o sexo não planejado.

Sem orientação

Ernani Rhoden, professor de urologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, classifica a chegada do Viagra, do Levitra e do Cialis como uma revolução no tratamento da disfunção sexual masculina. O problema, diz, é o uso da medicação sem orientação médica.

Se um indivíduo que tomou Viagra usar nitratos - substâncias que baixam a pressão sanguínea -, há risco de desmaio e ataque cardíaco.

Uma consulta com um médico pode não só evitar essa combinação perigosa como também ajudar a identificar as causas da dificuldade de ereção (como ansiedade, obesidade, colesterol alto, diabetes e hipertensão) e a tratá-las. Às vezes o medicamento pode nem ser necessário.

Um fator intrinsecamente ligado à disfunção erétil, porém, é a idade. Conforme os pacientes envelhecem, é comum que as pílulas percam eficácia. Aí ganham espaço injeções e próteses penianas.


Saiba tudo sobre o comprimido Azul

Viagra é um medicamento de prescrição utilizado no tratamento da disfunção erétil e impotência sexual em homens. Ele funciona através do aumento do fluxo sanguíneo para o pênis, a fim de ajudar um homem conseguir e manter uma ereção quando ele está sexualmente excitado ou estimulado.

O ingrediente activo do Viagra é o sildenafil e a dose varia entre 25 mg e 100 mg por comprimido.

Quanto tempo Viagra levar para agir? - Os efeitos do Viagra variam de pessoa para pessoa. Como regra geral, o Viagra começar a atuar cerca de 30 minutos depois de tomar a droga.

É importante compreender que tomar Viagra por si só não vai causar uma ereção. Viagra deve ser tomado em combinação com alguma forma de estimulação sexual (visuais, táteis ou não) para que uma ereção ocorra.

O período de tempo que o efeito do Viagra dura também varia de pessoa para pessoa, mas é conhecido por funcionar até 5 horas, quando usado juntamente com a estimulação sexual. A maioria dos homens vai sentir, no entanto, que os efeitos da pílula começam a diminuir em 2-3 horas após ingerir.

Qual o efeito do Viagra? - A efetividade do Viagra, ou quanto tempo o efeito vai durar, depende de uma série de coisas. Estas incluem:

Idade. Homens com mais de 65 anos podem achar que o comprimido permanece no seu corpo por mais tempo porque o sistema metabólico do tende a desacelerar com a idade. Essencialmente, isso significa que os efeitos podem durar mais tempo quanto mais velho você é.

Dieta. Tendo uma grande refeição com um elevado teor de gordura pouco antes de tomar a pílula pode atrasos efeitos. Seu corpo vai estar trabalhando mais para digerir a comida. Ao tomar com o estômago vazio, os efeitos vão surgir mais rapidamente.

Álcool. O consumo de álcool diminui o fluxo sanguíneo para o pênis, tornando mais difícil de obter e manter uma ereção. Um copo de vinho ou uma única cerveja é geralmente ok, mas mais de 2 unidades de álcool aumenta o risco de efeitos colaterais negativos e torna muito mais difícil manter uma ereção.

Dosagem. Viagra vem em comprimidos que variam em dosagem de 25 mg a 100 mg. Como uma regra de ouro: quanto maior a dose, mais eficaz e de longa duração. Tanto os efeitos como também os riscos. Consulte sempre seu Andrologista.

Saúde. Se você tiver problemas hepáticos ou renais, efeitos do Viagra podem durar mais tempo. Isso ocorre porque o comprimido irá demorar mais para ser metabolizado pelo seu corpo. Portanto, você deve sempre informar o médico se você sofre de qualquer ums destas condições.

Interações medicamentosas. Alguns medicamentos podem alterar quanto tempo os efeitos duram. Isto inclui medicamentos como o antibiótico rifampicina (utilizada no tratamento da tuberculose). Sempre discuta seu histórico médico completo e os medicamentos que está tomando atualmente com o seu médico. Assim, seu médico pode garantir que é seguro para você tomar Viagra.

Quanto tempo Viagra permanecer no seu sistema? - Siga sempre as instruções dadas pelo seu médico que prescrever o Viagra para evitar efeitos colaterais negativos e não exceder a dose recomendada.

Viagra pode ter efeitos duradouros maléficos? - Em casos extremamente raros, quando Viagra é tomado em combinação com outros medicamentos ou drogas ilegais, uma condição chamada de “priapismo” pode ocorrer. O priapismo é o nome para uma ereção dolorosa com duração de mais do que 4 horas.

Esta é uma condição médica séria que pode ser dolorosa e levar a danos duradouros para o pênis. Se você tiver uma ereção que seja dolorosa ou com duração superior a 4 horas, você deve procurar atenção médica imediata.

Por: Gabriel Alves | Fonte: Folhapress | Informações complementares: Andrologia