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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Como guardar medicamentos

Remédios guardados de forma errada perdem o efeito e podem colocar a saúde em risco


O que o calor ou o frio extremo podem fazer com medicamentos? Temperaturas extremas podem ter um efeito enorme, tanto em remédios prescritos, quanto em medicamentos de balcão. Os fabricantes farmacêuticos recomendam que a maioria de seus produtos sejam armazenados a uma temperatura controlada de 20 a 25 graus Celsius, afirma Skye McKennon, professora assistente de clínica na Escola de Farmácia da Universidade de Washington.

Na verdade, essa é faixa de temperatura na qual os fabricantes garantem a integridade do produto. Segundo a especialista, qualquer marca entre 14,5 e 30 graus ainda é adequada.

“Durante ondas de calor ou de frio, os locais de armazenamento podem ficar acima ou abaixo desses intervalos adequados de temperatura, fazendo com que os medicamentos mudem fisicamente, percam potência ou até mesmo ameacem a saúde”, diz McKennon.

Para pacientes com doenças crônicas como diabetes ou problemas cardíacos, uma dose danificada de um remédio crucial, como insulina ou nitroglicerina, pode ser uma ameaça de morte. Mas até mesmo remédios comuns podem mudar e adquirir potenciais efeitos danosos, e não é sempre que você pode dizer que houve algum problema apenas olhando para a pílula ou para o líquido, diz Janet Engle, farmacêutica e antiga presidente da Associação Americana de Farmacêuticos.

McKennon conta que, quando alguns antibióticos decaem, podem causar danos ao estômago ou aos rins. A aspirina, quando comprometida, pode causar mais do que apenas um desconforto estomacal. A hidrocortisona pode separar-se no calor e se tornar ineficaz.

Qualquer tipo de fita para testes diagnósticos, como aquelas usadas para testar os níveis de açúcar no sangue, gravidez ou ovulação, é extremamente sensível à umidade. Se a umidade grudar nas tarjetas, ela dilui o líquido de teste e pode gerar leituras e resultados falsos.

Medicamentos para a tireoide, contraceptivos e outros que contenham hormônios são particularmente suscetíveis a mudanças de temperatura. Esses compostos frequentemente são baseados em proteínas e, quando as elas esquentam, mudam suas propriedades.

Cuidados especiais também deveriam ser tomados com insulina, medicamentos para convulsões e anticoagulantes, diz McKennon. “Pequenas mudanças nas dosagens de remédios como esses podem fazer uma diferença enorme para a saúde”, diz.

Para garantir que seus medicamentos continuem seguros, aqui estão alguns conselhos colhidos de farmacêuticos e outros especialistas.

Um lugar fresco e seco

Apesar do nome, o armário de remédios frequentemente é o pior lugar para guardar medicamentos, por causa da alta umidade sempre existente no banheiro. Em vez disso, reserve o espaço para curativos e pasta de dentes. Mantenha os medicamentos em local fresco e seco, como o armário de toalhas do corredor, o armário do quarto ou até mesmo no armário da cozinha, longe do fogão. Se crianças e animais forem capazes de alcançar esses espaços, considere prateleiras mais altas ou caixas trancadas a chave.

Embalagens especiais

Não se engane com caras embalagens especiais, desenvolvidas para 'proteger’ remédios, como plástico-bolha ou folhas de alumínio. Segundo McKennon, não existe evidência de que essas embalagens protejam remédios melhor do que qualquer vidrinho de pílulas normal. Assim sendo, nunca retire medicamentos de suas embalagens originais, onde possam estar mais expostos aos elementos naturais. Há apenas uma exceção: pessoas idosas ou pacientes com doenças sérias frequentemente precisam usar caixinhas de pílulas diárias, que ajudam a assegurar a precisão das doses. Essas caixinhas também precisam ser guardadas em locais frescos e secos.

Uma observação especial sobre a insulina: ela pode degradar-se facilmente se resfriada ou esquentada em excesso, diz Vivian Fonseca, médica e presidente eleita da Associação Americana de Diabetes. Recipientes de insulina ainda não abertos são mais bem conservados quando guardados na geladeira. Quando abertos, no entanto, devem ser mantidos à temperatura ambiente, o que também torna mais confortáveis as injeções.

Precauções para viajar

A temperatura interior de um carro pode transformá-lo num forno quando ele está parado em um estacionamento ou entrada de garagem, debaixo do sol. Por causa disso, a melhor coisa a fazer é manter os medicamentos em uma bolsa ou malinha separada ao viajar. Quando você deixar o carro, leve os medicamentos com você. Tome cuidado quando estiver dirigindo até uma farmácia, nos meses quentes do verão e nos meses gelados do inverno. Tenha certeza de ir direto para casa com sua preciosa carga.

“É fácil presumir que você vai direto para casa, depois de ir à farmácia”, diz Fonseca. “Mas você frequentemente se distrai, acaba indo cuidar de algumas pendências e, quando dá conta, já se passaram uma ou duas horas. Em um dia extremamente quente, isso não é bom”.

Se você precisa guardar medicamentos emergenciais no carro, como um aplicador de adrenalina ou uma dose de insulina, peça que seu farmacêutico recomende um recipiente de resfriamento, que irá manter o remédio específico na temperatura adequada.

Sempre carregue seus medicamentos com você, dentro do avião. Os compartimentos de bagagem não têm controle de temperatura e podem facilmente tornar-se frios ou quentes demais. Os procedimentos de segurança permitem que sejam levados medicamentos para a cabine, mas os passageiros talvez possam precisar de algum tempo extra para fazer o check-in.

Remédios danificados

Nunca tome nenhuma medicação que tenha se modificado em cor ou consistência, não importando qual seja sua data de validade. Também verifique possíveis cheiros estranhos. Jogue fora pílulas que estejam grudentas, lascadas ou que estejam mais duras ou mais moles do que o normal.

Nunca jogue remédios não utilizados pela descarga, onde poderiam encontrar o caminho até o abastecimento de água. Em vez disso, misture as pílulas ou líquidos a borra de café, areia de gato ou qualquer outro material que os torne intragáveis e coloque a mistura no lixo.

Além de tudo isso, muitos estados e municípios têm programas de coleta de remédios, em que os pacientes podem levar os medicamentos não utilizados para centros de coleta comunitários, para que sejam jogados fora de maneiras mais ecológicas.

Por Walecia Konrad | Fonte: Saúde IG