terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Farmácia de Minas está com estoque zerado de 74 medicamentos gratuitos

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) atribui o desabastecimento a crise financeira. Não há previsão para a normalização

Ainda não há prazo para a regularização dos estoques | Foto: Jair Amaral/EM/D.A Press

Moradores mineiros que necessitam de medicamentos de alto custo fornecidos pelo Estado vivem em total angústia. Dos 217 remédios distribuídos gratuitamente no Farmácia de Minas, 97 estão desabastecidos ou parcialmente abastecidos. Sendo que, 74 tipos de medicação estão com o estoque zerado. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG) atribui o desabastecimento a crise financeira. Não há previsão para a normalização.

Dados divulgados pela pasta mostram que a situação é crítica. Ao todo, 74 medicamentos estão totalmente em falta no estado. Outros 23 itens, estão com estoque entre 10% e 79% do total da demanda. A situação estava ainda pior, segundo a SES. Há 10 dias, eram 77 remédios com estoque zerado em Minas.

O desabastecimento está levando a SES a tomar medidas urgentes. Segundo a pasta, a crise financeira foi uma das causadoras do problema. “A atual gestão da SES-MG, está realizando uma análise da real situação da Saúde em Minas Gerais e já constatou um cenário de intenso desabastecimento de medicamentos essenciais ao tratamento dos cidadãos mineiros. Dentre as situações que culminaram na falta dos itens, verifica-se que grande parte está relacionada à pendência financeira do Estado junto aos fornecedores, cuja dívida foi herdada do governo anterior”, afirmou, por meio de nota.

Enquanto a situação não se normaliza, pacientes mineiros sofrem com o desabastecimento. Como é o caso de Maurício Silva Vítor Amaral, que é conselheiro municipal de saúde e presidente da Transvida. Ele passou por um transplante de rim em março de 2014 e precisa de tomar imunossupressores para o corpo não rejeitar o órgão recebido. Porém, alguns dos medicamentos estão em falta.

“Mês passado, em dezembro, peguei no dia 14. A partir do dia 15 em diante, os pacientes não conseguiram. Este mês fui pegar a quantidade que uso para 30 dias, mas não me deram. Além disso, disseram que não há prazo para regularizar”, disse. “Precisamos fazer o uso contínuo desses medicamentos o resto da vida. É um dos direitos mais preciosos na assistência farmacêutica”, reclamou.

De acordo com a SES, medidas estão sendo tomadas para regularizar o estoque. “Estão sendo implementadas ações prioritárias para a regularização dos pagamentos junto aos fornecedores e consequente reversão da situação instalada. À medida em que os fornecedores efetivam as entregas dos itens no almoxarifado central da SES-MG, está sendo realizada a distribuição às unidades de saúde com a tempestividade que o caso requer”, comentou.

Por: João Henrique do Vale | Fonte: EM.com.br

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Falta de remédio em farmácias do SUS é problema constante há meses em MG

Rotina de pacientes é chegar a unidades e voltar sem medicamentos

Mais de 1/3 dos medicamentos de alto custo do SUS estão em falta em Minas

Os pacientes que precisam de remédios fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas Gerais muitas vezes ficam sem o medicamento. Hoje, mais de um terço dos medicamentos de alto custo, fornecidos pelo programa Farmácia de Todos, estão em falta no estado.

A Secretaria Estadual de Saúde informou que 77 dos 218 remédios especializados, os de alto custo, estão em falta. E até remédios mais simples usados, por exemplo, para controle do colesterol também estão em falta.

O aposentado Maurício Silva Vítor Amaral já entrou desanimado na farmácia de Minas nesta segunda-feira (14), sabendo que o "não" seria a resposta para o que ele foi buscar – o Tracolimo, que é um medicamento usado para evitar a rejeição de órgãos em transplantados.

“É um paradoxo, você faz um transplante e não tem medicamento. Tem que ter o medicamento, é importante para o paciente, não pode faltar”, protestou. Segundo ele, o remédio está em falta há mais de 20 dias.

A gerente Luciana Costa foi à farmácia atrás de um remédio imunossupressor para mãe que há pouco tempo recebeu um rim, e precisa dele para ter alta do hospital.

“O que deveria ser prioridade total do governo não só para esse perfil de paciente, mas para as pessoas. Isso aqui é uma questão de vida ou morte, o sucesso ou não de um tratamento extremamente importante”, pontuou.

A situação também é complicada para quem tem ordem da Justiça obrigando o estado a pagar pelo medicamento. São geralmente remédios muito caros. Tem paciente que está indo à Farmácia Judicial há mais de 3 meses e vai embora sem o medicamento.

Thomaz Rafael Boaventura precisa usar todo mês uma injeção de Paliperidona que custa em torno de R$ 2,8 mil. O jovem diz que está há quase 4 meses sem o medicamento que é para o controle da esquizofrenia. “A gente tem que substituir por outros medicamentos, não é a mesma coisa. E aí quem sofre é a gente, que está passando por isso”.

A espera da aposentada Elenice Maia é ainda maior. Desde setembro, ela está sem o medicamento para tratar a osteoporose. “Agora eu vou comprar e vejo se consigo receber da Justiça, que eu acho muito difícil”.

Sobre a proposta da nova gestão dos medicamentos distribuídos pelo Farmácia de Todos, a Secretaria Estadual de Saúde informou que o governo está fazendo uma análise da situação financeira do estado e que assim que for possível dará informações precisas e transparentes sobre mudanças no programa de assistência farmacêutica.

Fonte: G1

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

SUS não entrega remédio para câncer


Paciente que trata leucemia na Santa Casa de São Paulo está sem medicamento há mais de dez dias. Hospital culpa a secretaria estadual de Saúde, que joga a responsabilidade para o Ministério da Saúde. Casos se repetem na entrega de remédios para Esclerose Múltipla, Asma, Diabetes, Atrofia Muscular Espinhal e outras doenças graves.

Governo federal e governo paulista, mesmo sob nova gestão e orientação política, não resolvem o problema crônico da falta de distribuição de remédios pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Embora as novas gestões estejam no comando há somente 15 dias, a situação enfrentada por pessoas que precisam de tratamento contínuo, mas não recebem seus medicamentos, é bem mais antiga e bastante conhecida.

Para agravar o quadro, as instituições responsáveis pela distribuição dos remédios mantêm o jogo de empurra, enquanto pacientes aguardam por uma solução.

O #blogVencerLimites acompanha esse cenário com atenção e já publicou diversas reportagens com denúncias de pessoas que convivem com Esclerose Múltipla, Asma, Diabetes e Atrofia Muscular Espinhal. Em todas as histórias, a negligência se repete.

Rodney Oliveira Viana, de 30 anos, tem Leucemia Mielóide Crônica e faz tratamento desde julho de 2017, pelo SUS, na Santa Casa de São Paulo. Segundo Marcia Campos, esposa do paciente, a fase aguda da doença foi controlada com o uso contínuo do medicamento Nilotinibe (Tasigna 200MG), mas há dez dias a entrega do remédio foi interrompida.

“A Santa Casa nos informou que o problema é no Ministério da Saúde. Temos que ficar sempre ligando para saber se chegou, porque nunca tem previsão de entrega”, diz Marcia, que telefonou para o hospital mais uma vez nesta segunda-feira, 14/01. “Ainda não receberam o remédio. Meu marido continua sem tratamento”, ressalta.

“No mês passado ocorreu o mesmo problema. Levou mais de uma semana para chegar, Infelizmente, está acontecendo direto e o nosso medo é da doença, que é um câncer, se agravar novamente”, desabafa Marcia.

Respostas

Questionados pelo #blogVencerLimites, a Santa Casa de São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde de SP e o Ministério da Saúde transferem as responsabilidades. Leia as respostas enviadas por email.

SANTA CASA – “Informamos que o paciente Rodney Oliveira Viana fez a retirada da medicação Nilotinibe (Tasigna 200mg) no dia 10 de dezembro de 2018. A Secretaria da Saúde ainda não forneceu a cota referente a janeiro de 2019. Estamos aguardando resposta do órgão com a indicação da data de entrega da medicação. Assim que recebermos o produto em nossa farmácia o paciente será notificado para retirada”.

SECRETARIA DA SAÚDE DE SP – “A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informa que a compra e distribuição de medicamentos para tratamento de leucemia aos estados cabe ao Ministério da Saúde. O órgão federal, no entanto, entregou em 2018 quantitativos parciais e insuficientes para São Paulo.

Para atender os pacientes neste trimestre foram solicitados, no total, 166 mil comprimidos do medicamento Nilotinibe. Porém, o Ministério da Saúde aprovou quantitativos inferiores ao pedido – 69% do solicitado.

Embora a portaria federal estipulasse que a entrega total deveria ocorrer até 20 de dezembro do ano passado, o Ministério da Saúde efetuou a entrega completa dos remédios no dia 11 de janeiro.

A Secretaria de Estado da Saúde concentra esforços para atender os pacientes, fazendo planejamento rigoroso de estoques e remanejamentos, quando há possibilidade, e espera que o governo federal forneça os quantitativos o quanto antes, para assegurar a continuidade da assistência aos pacientes”.

MINISTÉRIO DA SAÚDE – “O Ministério da Saúde esclarece que, em 2018, foram encaminhados 103.712 unidades do medicamentos para atendimento dos pacientes em São Paulo. Novo quantitativo deve ser enviado até o final desta semana (resposta em 9 de janeiro) à Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. O Ministério da Saúde reforça que a distribuição do medicamento às unidades dispensadoras é de responsabilidade das Secretarias Estaduais de Saúde”.

Por: Luiz Alexandre Souza Ventura | Fonte: Estadão / Blog Vencer Limites

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Transplantados não conseguem medicamentos na Ceaf, em Maceió

Pacientes relatam risco de perder órgãos transplantados se não tomarem a medicação regularmente. Sesau diz que incêndio em indústria em SP comprometeu distribuição

Pacientes transplantados em Maceió dizem que há algum tempo não conseguem pegar medicamentos importantes e necessários para a vida | Foto: Derek Gustavo/G1

Pessoas transplantadas que vivem em Maceió estão enfrentando dificuldades para conseguir imunossupressores no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf), antiga Farmex. Esses remédios são importantes para evitar a rejeição dos novos órgãos e devem ser tomados durante toda a vida, mas são muito caros e não são vendidos em farmácias.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou à reportagem do G1 que estes dois medicamentos integram a lista dos que foram adquiridos pelo Ministério da Saúde (MS), mas um grande incêndio na indústria farmacêutica EMS em Hortolândia (SP), em outubro de 2018, resultou no atraso da produção, comprometendo a distribuição para todos os estados.

Enquanto o problema não é resolvido, pacientes como a estudante Paula Ruthielle do Nascimento Oliveira, que recebeu um transplante de rim há cerca de 3 anos, ficam sem alternativa. Ela contou ao G1 que costumava pegar a dose dos remédios suficiente para um mês na Ceaf até o dia 10. Neste início de ano, no entanto, ela ainda não conseguiu a medicação.

“Nesse mês, a gente foi pegar, mas disseram que não tinha, e que também não havia previsão para chegar. Um amigo disse que chegou só uma caixa no fim do mês passado, mas acabou logo. Deixei meu telefone para me avisarem quando chegar, mas nunca recebi a ligação”, diz Paula.

Ela explica ainda que o Tracolimo vem em diferentes dosagens, e o que mais falta é o de 5 mg. No fim do ano passado, foram três meses sem e, para compensar, a instituição estava distribuindo uma dosagem menor, de 1 mg, o que acaba afetando quem depende dela.

“Eu passei 2 anos e 4 meses na hemodiálise, 6 meses na fila de transplante no Recife. Se eu deixar de tomar a medicação, volto para a máquina”, lamenta a estudante.

Quem também enfrenta problema parecido é Otávio Cipriano da Silva Neto. Ele está desempregado e recebeu um novo rim há cerca de 8 meses.

“No mês passado, peguei só o Tracolimo, mas em uma quantidade reduzida, que dava para 15 dias. Nesse mês, não peguei mais porque não tinha. Eu tenho que voltar na Ceaf no dia 17, porque a previsão é que chegue no dia 19, que cai em um sábado. Me pediram para voltar antes, mas não especificaram um dia exato. É na sorte”, relata Neto.

Após o transplante, ele passou 4 meses no Recife e conta que conseguiu tomar os medicamentos corretamente. O problema de fornecimento surgiu depois que voltou para Maceió.

“Nesse intervalo, já são três meses, pelo menos, com dificuldade. Sem esses medicamentos, posso ter que começar a batalha pela minha vida toda novamente. Tantos anos esperando o órgão, e perder por causa disso. Não tenho condições de pegar por fora, porque esses remédios são muito caros”, diz Silva Neto.

Diante da falta do fornecimento desses remédios pelo Estado, a produtora de eventos Marília Chamusca de Oliveira, 34, precisou dar um jeito para comprar. Ela também é transplantada do rim, há 5 anos.

“Eu pegava medicamentos em São Paulo, mas lá está faltando também. Há um ano pego aqui, e a situação veio piorar agora. Nesse um ano, faltou uma ou duas vezes. Em outubro, como a Ceaf não tinha, eu comprei um dos medicamentos. Passei no cartão, dividi em 10 vezes, e tô pensando em comprar de novo, para fazer um estoque, para não perder o rim”, afirma Marília.

Ela diz ainda que diante dessa situação, o sentimento é de indignação e medo. “Conheço gente no Recife que perdeu o órgão por não ter tomado os medicamentos. Conseguimos, com muita sorte, passar no máximo uma semana sem remédio, dependemos deles 100% para viver. É absurdo tanto dinheiro entrar no SUS e faltar um medicamento essencial para a pessoa. Me sinto impotente”.

Por: Derek Gustavo | Fonte: G1

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Pacientes de MS são afetados por desabastecimento de remédio para esclerose múltipla

Ministério da Saúde promete regularizar distribuição até o fim da semana


Pacientes de Mato Grosso do Sul, que fazem tratamento para esclerose múltipla, estão sofrendo com o desabastecimento nacional do medicamento Fingolimode. Em Campo Grande, pacientes que foram até à Farmácia Escola da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), que possui termo de cooperação com a SES (Secretaria Estadual de Saúde), não encontraram o medicamento disponível.

Uma leitora do Jornal Midiamax relatou que, segundo informações da Farmácia Escola, a falta do medicamento aconteceu problemas na licitação e a medicação não tem previsão de chegada. “A farmacêutica aconselhou ligar lá no final da primeira quinzena de janeiro para saber se foi restabelecido a entrega do medicamento”, diz.

Ainda segundo a paciente, a falta do medicamento pode acarretar problemas no desenrolar do tratamento. “O remédio é de extrema importância para o tratamento de uma doença crônica. A falta do uso da medicação pode acarretar na quebra do tratamento dos pacientes, levando à estaca zero”, comenta.

O medicamento para o tratamento de escleroso múltipla é de alto custo e o valor de uma caixa do genérico chega a quase R$ 6 mil na farmácia, inviabilizando a compra para muitos pacientes.

O Jornal Midiamax procurou a SES (Secretaria Estadual de Saúde) desde a semana passada, mas, não houve retorno das solicitações encaminhadas por email. Já o Ministério da Saúde confirmou a falta do remédio e alegou problemas com o fabricante. Em outros estados, como São Paulo o problema também está afetando pessoas que fazem o tratamento.

Segundo o Ministério da Saúde, a distribuição do medicamento já foi iniciada e, até o fim da semana, a previsão é de que todos os estados tenham sido reabastecidos. (Nota na íntegra)

O Ministério da Saúde informa que já iniciou a distribuição do medicamento Fingolimode e até o final da semana, todos os estados estarão abastecidos. São enviados 86.492 cápsulas do medicamento para abastecer unidades de saúde no primeiro trimestre de 2019.

A compra foi emergencial e o atraso na aquisição se deu por problemas com o fabricante. Paralelo à essa aquisição emergencial, também está em andamento um novo pregão eletrônico para uma compra maior, o que garantirá o abastecimento para restante do ano.

A esclerose múltipla é uma disfunção crônica que afeta o sistema nervoso e se manifesta geralmente por surtos agudos que levam à paralisia de membros e à falta de coordenação motora, entre outros sintomas.

O tratamento é feito com o uso de medicação contínua e é possível evitar a progressão da enfermidade. A interrupção do tratamento por 15 dias já é suficiente para que o paciente tenha piora no quadro clínico e volte a enfrentar episódios da doença, com intensidade e duração imprevisíveis.

A aquisição e a distribuição dos medicamentos é centralizada no Ministério da Saúde devido ao preço elevado e à indisponibilidade dos itens no mercado convencional, de acordo com informações do MPF (Ministério Público Federal).

Por: Wendy Tonhati | Fonte: Midiamax

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Hospital fica sem medicamentos e cancela quimioterapia de pacientes com câncer em MS

Hospital teria alegado que não tem uma data prevista para o tratamento da mulher continuar


Há seis meses realizando semanalmente sessões de quimioterapia, o drama da arquiteta Mônica Maria Marinho dos Reis Tasso, 58 anos, ficou ainda mais grave nos últimos dias. Ela teve o tratamento suspenso por um motivo, no mínimo, revoltante: a falta de medicação no Hospital Rosa Aparecida Pedrossian.

Lutando incansavelmente contra um câncer de mama e também com a osteogênese imperfeita, doença conhecida como ‘ossos de vidro’, Mônica sofreu um novo duro golpe última sexta-feira (4). Ela recebeu uma ligação do hospital dizendo que não tinha medicação para realizar o tratamento da paciente e, pior, não tinha data para o HR voltar a fornecer o medicamento.

“Preciso continuar meu tratamento e não estou conseguindo por falta de medicação. Apenas me ligaram informando para eu não ir no dia programado e ainda ressaltaram que não havia data para voltar ao normal. Não estou realizando a denúncia apenas por mim, mas também por todos os pacientes que estão enfrentando o câncer e necessitam dos medicamentos para sobreviverem. Estão lidando com vidas e o tratamento não pode ser interrompido”, lamentou a arquiteta.

Mônica também destacou que se o paciente não realiza o tratamento de forma correta, cada dia que se passa se torna um risco maior, já que o câncer é uma doença severa e que age de forma rápida.

“Não acreditei que um hospital como o Rosa Aparecida Pedrossian, que atende tantos pacientes, não tinha a medicação. Isso não pode acontecer”, ressaltou.

A solução?

Inconformada com a negligência, a arquiteta chegou a entrar em contato direto com o Secretário de Saúde do Estado, Geraldo Resende, que, segundo ela, foi bem atencioso e adiantou não saber que o hospital estava em a medicação necessária, já que ele assumiu a secretaria recentemente.

“Ele conversou comigo e alegou não saber o que estava acontecendo, mas disse que amanhã pretende realizar um levantamento para resolver o problema. Esperamos mesmo que  tudo seja resolvido e que todos os pacientes consigam realizar seus tratamentos”.

A equipe de reportagem do TopMídiaNews também entrou em contato com o Secretário de Saúde e foi informada que o diretor do hospital já foi avisado sobre a falta de medicação. Resende também adiantou que nesta segunda-feira (7) haverá uma reunião para que o problema seja resolvido o mais rápido possível.

Por: Anna Gomes | Fonte: TopMídiaNews

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Sem medicamentos essenciais há três semanas, transplantados do AM protestam

Grupo cobra remédios que evitam rejeição ao órgão transplantado. Susam informou que a previsão é que o Ministério da Saúde envie os medicamentos até o dia 10


Após três semanas enfrentando a escassez de medicamentos essenciais, um grupo de transplantados renais realizou na manhã desta quinta-feira (3) uma manifestação em frente à sede da Central de Medicamentos do Amazonas (Cema), localizada na rua Duque de Caxias, no bairro Praça 14 de Janeiro, Zona Sul de Manaus.

O desabastecimento de imunossupressores como Tracolimus e Sirolimus – drogas que evitam rejeição ao órgão transplantado -, tem deixado transplantados apreensivos, pois a falta dos remédios pode levar à morte. É o que diz Maria de Nazaré Pinto da Silva, membro da Associação dos Transplantados Renais do Amazonas (Atra).

De acordo com Maria de Nazaré, alguns pacientes chegaram a fracionar a medicação na esperança de que a Cema fosse reabastecida a tempo. “Antes estava em falta o Sirolimus. Praticamente 80% dos pacientes renais toma Tacrolimus, que agora está começando a ficar escasso também. Não são só renais, é remédio que transplantados em geral precisam”, enfatizou.


Ela contou que a entidade já pediu providências junto ao Ministério Público e Procuradoria Geral, além de ter contatado a própria Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) e a Cema. “Nos informaram que não há previsão para chegada. É absurdo o paciente, que tem que tomar três doses, chegar a tomar apenas uma, para não ter de ficar sem remédio”, disse Nazaré, que também é transplantada.

Na manhã da próxima segunda-feira, pacientes transplantados em geral devem se unir para mobilização em frente à sede do Governo do Estado, na avenida Brasil, bairro Compensa, na Zona Oeste, para pedir um posicionamento à nova gestão do Executivo.

Em nota, a Cema, através da Susam, informou que desde 26 de dezembro os medicamentos imunossupressores estão em falta em todo o Brasil, mas tem previsão de chegada para a próxima quinta-feira, 10 de janeiro. A nota informa ainda que o Ministério da Saúde é responsável pelo fornecimento dos remédios, que são disponibilizados por meio do Programa Estadual de Medicamento Especializado (Proeme), e tem compra realizada exclusivamente pelo Ministério da Saúde.

Desabastecimento

O novo governador, Wilson Lima (PSC), disse durante a divulgação da comissão de transição na última quarta-feira (02), que atualmente chega a 45% o desabastecimento da Cema. Além da baixa no estoque, o chefe do Executivo afirmou que fornecedores da área da saúde estão há seis meses sem os vencimentos.

Segundo o governador, a área da saúde acumula o maior volume da dívida orçamentária, da ordem de R$ 569 milhões, sendo R$ 180 milhões com cooperativas médicas e R$ 60 milhões com a Parceria Público-Privada do Hospital da Zona Norte. O cenário é também preocupante porque traz risco de interrupção na prestação de serviços e fornecimento de insumos e medicamentos nas unidades de saúde no Estado.

Renais

Em outubro deste ano, a Susam ampliou o atendimento do serviço de hemodiálise para 200 pacientes renais crônicos. Outras 180 vagas devem ser abertas para abranger a demanda.

Por: Cecília Siqueira | Fonte: A Crítica