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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

No meio do caminho o remédio sumiu

Ricardo Barros é ministro da Saúde. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Pesquisa comprova falhas sistemáticas na entrega de medicamentos para Esclerose Múltipla pelo SUS. Estudo expõe problema de gestão do dinheiro público que coloca a vida de milhares de pessoas em risco. Associação que representa pacientes vai acionar a Justiça para cobrar solução. Ministério da Saúde garante que faz a compra regular dos remédios e afirma que governos estaduais são responsáveis pela distribuição aos cidadãos.

A mesa de trabalho do ministro da Saúde, Ricardo Barros, precisa de pernas muito fortes para suportar a carga acumulada nos últimos meses. O #blogVencerLimites apurou que aproximadamente 3,5 mil ordens judiciais de todo o País, para compra ou entrega de medicamentos e também de serviços médicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), aguardam cumprimento da pasta, mas ainda não foram obedecidas.

Muitas dessas ações são referentes a remédios de alto custo para várias doenças crônicas como Esclerose Múltipla, Diabetes e Asma, e também para tratamento de Hepatite e outras patologias curáveis. Situação que coloca em risco a vida de milhares de pessoas e escancara um grave problema de gestão da saúde pública.

Questionado pelo #blogVencerLimites sobre a situação, o ministério da Saúde afirma que criou um “núcleo de judicialização” para dar mais segurança aos pacientes que recorrem às ações judiciais.

“É uma medida de cooperação entre União, estados, municípios e o Poder Judiciário para cumprimento das decisões. Esse núcleo avalia, controla e detecta fraudes, além de organizar a compra e a distribuição dos medicamentos”, diz a pasta.

Os resultados efetivos desse trabalho, no entanto, ainda não são percebidos por muitos cidadãos.

Um estudo divulgado nesta semana pela associação Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME), publicado no Observatório da EM, comprova que, dos remédios de alto custo para tratar a doença solicitados por 13 mil pacientes pelo SUS, somente metade chega às mãos dessas pessoas.

A pesquisa constatou falhas sistemáticas nessa distribuição, com atraso na entrega ou total ausência do produto.

O problema foi verificado nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e no Distrito Federal, com atraso de um a três meses na entrega de Avonex, Betaferon, Copaxone, Fingilomode, Rebif (22 e 44) e Tysabri, ou a ausência constante de ao menos um dos remédios nas prateleiras.

O estudo de três fases, com participação de 250 pacientes em cada etapa, aponta que, em 2015, não havia remédio em 57,1% dos casos. No ano seguinte esse número caiu para 53,4% e, em 2017, chegou a 47,19%.

A associação verificou também atraso na entrega, de um a três meses, em 73,2% dos casos pesquisados em 2015. Em 2016, 61,7% dos entrevistados relataram demora para receber o remédio e, em 2017, esse percentual chegou a 47,2%.

“Manter uso do remédio por mais de 80% do tempo minimiza os efeitos da Esclerose Múltipla. Quando o tratamento é interrompido, surgem lesões no cérebro e na medula, provocando sequelas que podem ser irreversíveis”, diz o neurologista Denis Bernardi Bichuetti, professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e membro da equipe multidisciplinar da AME.

Para Gustavo San Martin, superintendente da AME, há duas possibilidades lógicas para as falhas. “Ou se trata de um grave problema de inabilidade na gestão, com forte impacto na vida e na saúde das pessoas, ou então seria uma absurda política pública do atraso, para gerir às avessas os recursos”, afirma.

“Nenhuma dessas hipóteses é aceitável porque a saúde do paciente não pode esperar. Para uma pessoa com Esclerose Múltipla, tempo é cérebro“, destaca San Martin.

Crises

O neurologista Denis Bichuetti explica que o paciente não pode fazer intervalos no tratamento sem programação prévia. “Quando a pessoa passou por uma crise, a primeira obrigação do médico é perguntar se ela está tomando os remédios conforme recomendado”, ressalta.

Falta de proteção

“Paciente que não faz uso correto do medicamento fica desprotegido, com maior risco de sofrer surto e ter sequelas“, comenta Bichuetti.

“Se o tratamento precoce faz diferença, começar mais cedo possível e trocar a medicação para uma substância mais potente amplia a eficácia. O uso contínuo oferece maior benefício“, diz o especialista.

O professor cita um estudo da Academia Americana de Neurologia (American Academy of Neurology) apresentado em 2012 que avaliou o uso do Betaferon por 21 anos, desde seu lançamento em 1999. “Esse estudo constatou que o uso correto do medicamento fez diferença na mortalidade dos pacientes”, completa.

Falha geral

O superintendente da AME lembra que a aquisição dos medicamentos é feita pelo governo federal. “Se não há determinado remédio em um Estado, não há em nenhum, porque o Ministério da Saúde centraliza essa compra“, afirma Gustavo San Martin.

Providências

“A AME levará os dados sobre a falta de medicamentos ao conhecimento do Ministério Público Federal (MPF) para que sejam adotadas as providências cabíveis“, diz o advogado Marco Aurelio Torronteguy, que representa a associação.

Resposta

O Ministério da Saúde confirma que adquire de forma centralizada os medicamentos Betainterferona, Fingolimode, Glatirâmer (Copaxone) e Natalizumabe (Tysabri), mas afirma que não houve falha na distribuição aos estados durante os anos citados na pesquisa.

“A pasta organiza a aquisição e distribuição desses medicamentos, para garantir o acesso dos produtos aos usuários do Sistema Único de Saúde, conforme determina a portaria nº 02/2018. É importante ressaltar que o Ministério da Saúde encaminha o quantitativo de medicamentos de acordo com a programação trimestral enviada ao órgão federal pelas secretarias estaduais de saúde”.

O #blogVencerLimites está em contato com as secretarias dos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e do Distrito Federal para saber porque os remédios que o Ministério da Saúde afirma ter enviado não chegaram aos pacientes.

Doença de Fabry

No último dia 11 de janeiro uma publicação no Facebook que ganhou grande repercussão em todo o País apresentou mais um caso de paciente que precisa de remédio e recorre ao SUS, mas o sistema público não cumpre a sua parte.

A jornalista Laís Serrão, que mora em São Paulo, enfrenta a Doença de Fabry, distúrbio hereditário raro causado por uma deficiência no cromossomo X, que impede o corpo de produzir quantidade suficiente da enzima alfa-GAL, responsável pela remoção das substâncias gordurosas das células. Essa insuficiência gera acúmulo e causa danos aos tecidos de todo o corpo. Quando não é tratada, provoca Acidente Vascular Cerebral (AVC) e até infarto.

“Faço infusões quinzenais da enzima com o medicamento Fabrazyme, do laboratório francês Genzyme. Cada infusão custa, em média, 40 mil reais. O governo brasileiro parou de comprar este e outros medicamentos necessários às pessoas com doenças raras. E não há sequer previsão para voltarem a enviar minha enzima”, desabafou a jornalista.

Atrofia Muscular Espinhal

Em julho de 2017, o #blogVencerLimites destacou a situação de Gianlucca Trevellin, que tem Atrofia Muscular Espinhal. Sua família obteve liminar em março daquele ano, que determinava 48 horas para que o medicamento Spinraza 12mg chegasse ao paciente, mas o Ministério da Saúde sequer havia comprado o produto.

Cada aplicação custa US$ 125 mil e a Justiça determinou a apreensão de recursos em contas correntes do Ministério da Saúde, mas as contas apresentadas estavam vazias.

Diabetes

Pacientes que convivem com a diabetes também relatam problemas para conseguir medimentos pelo SUS. Segundo a Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), a dificuldades são recorrentes há dois anos. No Rio de Janeiro, há oito meses alguns tipos de insulina sumiram. O medicamento também em falta na cidade de Belo Horizonte (Minas Gerais), em vários municípios do Estado de São Paulo e ainda na cidade de Belém (Pará). Na capital paulista, diz a associação, equipamentos para medir a glicose estão em falta há dois meses.

Por: Luiz Alexandre Souza Ventura | Fonte: Estadão

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Remédio de referência pode ser substituído por genérico

Atualmente, há 3.870 genéricos com registros válidos, de acordo com a Anvisa - Foto: Fábio Rogério/Arquivo JCS

A lei 9.787, que em 1999 regulamentou os medicamentos genéricos no Brasil, foi um marco na história da saúde pública brasileira, ampliando o acesso aos remédios em todo o país, destaca o presidente do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP), Marcos Machado. Ele acrescenta que, inicialmente encarados com receio pela população, os genéricos se consolidaram na confiança e escolha dos pacientes.

Desde o ano 2000 até 2017, 4.886 medicamentos genéricos foram registrados. Destes, 1.016 registros foram cancelados, restando 3.870 medicamentos genéricos com registros válidos, de acordo com dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No site do órgão (acessível pelo link bit.ly/2rdEleA), é possível conferir uma lista com todos os medicamentos genéricos registrados e a qual remédio referência equivalem.

Machado explica que antes da introdução dos genéricos haviam apenas duas opções: os remédios de referência (marca) ou os similares. Mais baratos, os similares prometiam ação semelhante aos de referência, mas não existia a obrigatoriedade da realização dos mesmos testes e manter a mesma qualidade. Já os genéricos, passam pelos testes de equivalência e biodisponibilidade, que garantem que estes possuem o mesmo princípio ativo, com eficácia e segurança.

Com o preço elevado dos medicamentos de referência, a entrada dos genéricos no mercado possibilitou um maior acesso da população de baixa renda aos remédios. "Foi um marco na saúde", define Machado. Atualmente, os pacientes já escolhem os genéricos e demonstram tranquilidade em relação ao seu funcionamento, assim como os profissionais de saúde.

Alguns médicos ainda pedem remédios de marcas específicas de sua preferência, mas se não expressarem na receita que é proibida a intercambialidade (ou seja, substituição do medicamento de referência pelo seu genérico), a troca é possível. "Todo medicamento de referência pode ser intercambiado por um genérico", aponta o presidente do CRF.

Ele conta que apesar da mesma eficácia e segurança, os medicamentos podem ter pequenas diferenças de um laboratório para outro. Desta forma, aqueles que fazem tratamentos contínuos devem se atentar ao laboratório que produz o genérico que utiliza, buscando comprar sempre do mesmo. "De uma marca para outra pode haver uma pequena diferença", explica.

No entanto, os genéricos devem ter a mesma eficácia. Se o paciente ingerir um medicamento que apresente falha na ação deve procurar ajuda profissional e comunicar as autoridades. "Se ele (paciente) toma um genérico e não tem o efeito esperado, deve voltar ao médico e fazer a notificação para a Vigilância Sanitária", orienta.

A Anvisa destaca ainda como vantagens dos genéricos: disponibilizar medicamentos de menor preço, uma vez que o medicamento genérico deve ser, no mínimo, 35% mais barato que o medicamento de referência; reduzir os preços dos medicamentos de referência, com a entrada de medicamentos concorrentes (genéricos); além da contribuição para aumento do acesso aos medicamentos de qualidade.

Da: Redação | Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Ibuprofeno: altas doses podem reduzir a fertilidade nos homens


Parece que o ibuprofeno, um dos fármacos mais utilizados para aliviar a dor, tratar a febre e a inflamação, se tomado em altas doses, tem um impacto muito negativo especialmente nos homens. Um novo estudo ligou o seu uso a um maior risco de infertilidade.

De acordo com a pesquisa publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, a ingestão de ibuprofeno pode levar ao desenvolvimento precoce de uma condição hormonal que geralmente começa assim que se atinge a meia idade. Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores levaram um grupo de jovens atletas que muito frequentemente usam esse medicamento.

Um anti-inflamatório não esteróide, como é o ibuprofeno, de fato, é muito comumente usado por aqueles que praticam esporte, tomado por exemplo, antes de um evento para prevenir o aparecimento da dor. Mas quais são as possíveis consequências para a saúde dos atletas que rotineiramente usam o ibrupofeno?

Para responder a esta pergunta, a equipe de pesquisa recrutou 31 voluntários do sexo masculino entre 18 e 35 anos. Destes, 14 receberam uma dose diária de ibuprofeno que muitos atletas profissionais e amadores tomam: 600 miligramas duas vezes ao dia (a dose de 1200 mg por dia é o limite máximo indicado pelos rótulos genéricos do produto). Os restantes 17 voluntários receberam um placebo. Tudo por um período máximo de 6 semanas.

Resultado? O ibuprofeno parece atuar como anti-androgênico, ou seja, parece interagir com a produção dos hormônios masculinos. Depois de 14 dias após tomar o medicamento, os hormônios luteinizantes, que são secretados pela glândula pituitária e estimulam os testículos para produzir testosterona, são influenciados pelo ibuprofeno em circulação no sangue. Além disso, a relação entre testosterona e hormônios luteinizantes diminuiu, indicando que os testículos estavam funcionando mal. Este desequilíbrio hormonal produziu hipogonadismo compensado, uma condição associada à diminuição da fertilidade, depressão e ao aumento do risco de eventos cardiovasculares, incluindo insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral.

Bernard Jégou, co-autor e diretor do Instituto de Pesquisas em Saúde Ambiental e Ocupacional na França, disse ter certeza da reversibilidade desses efeitos, mesmo que não se saiba o que pode acontecer no caso de uso prolongado.

A este respeito, David Moeberg Kristensen, da Universidade de Copenhaga, declarou:

"Nossa preocupação é a fertilidade dos homens que usam esses fármacos por longos períodos. Eles são bons analgésicos, mas uma certa quantidade de pessoas na sociedade os usa sem pensar neles como sendo os remédios que são".

Este novo estudo é a continuação de uma pesquisa iniciada sobre mulheres grávidas. Nesse caso, Bernard Jégou investigou os efeitos desta droga sobre a saúde de futuras mamães, comparando o ibuprofeno com outros medicamentos similares, como a aspirina e o paracetamol. A equipe mostrou que, quando eles foram tomados durante a gravidez, todas estas três drogas (consideradas leves) tiveram um efeito negativo nos testículos de crianças do sexo masculino.

O conselho, portanto, é o de limitar o uso destes, bem como o de outros medicamentos, para as situações que sejam realmente necessárias. Experimente, por exemplo, as alternativas naturais aos analgésicos e procure sempre um médico. Nunca se automedique!

Fonte: greenMe

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Projeto propõe reembolso de gastos com remédios que faltam nos postos

Assembleia Legislativa de SP aprovou um projeto de lei que cria a nota fiscal da saúde. A compensação seria em créditos fiscais


Em São Paulo, um projeto de lei propõe que o governo reembolse os gastos dos pacientes na compra de remédios que faltam nos postos de distribuição gratuita.

O transplante de rins renovou as vidas da auxiliar de limpeza Andreia Fernandes e da costureira Márcia Bertucci, mas essas vidas agora correm risco. Elas têm direito, mas não conseguem receber os medicamentos contra a rejeição, fornecidos de graça pelo SUS. Sem eles, os rins delas podem parar de funcionar.

“Se for assim toda vez que a gente for lá, como a gente vai fazer pra comprar? Esses medicamentos são muito caros”, diz Andreia.

Em Guarulhos, na Grande São Paulo, é a mãe da Duda, a dona de casa Elizabeth Alves, que passa apuro. A filha de oito meses tem hidrocefalia e epilepsia e não pode ficar sem um medicamento de alto custo. Mas quando vai buscar na farmácia pública, ela perde a viagem. “Eu fiz o pedido no dia primeiro de novembro, aguardei os 30 dias e desde então, todos os dias quase eu ligo e pergunto, questiono, eles não têm, eles não têm data, eles não tem remédio”, conta.

Esses remédios fazem parte de uma lista de 869 medicamentos considerados essenciais pelo Ministério da Saúde - que compra e distribui de graça, em parceria com estados e municípios.

“O Sistema Único de Saúde, principalmente aqui em São Paulo, tem rede de postos e farmácias próprios que fornecem esses medicamentos para população que é atendida pelo SUS. O problema é que o fornecimento é irregular”, explica Renato Azevedo Junior, diretor social da Assoc. Paulista de Medicina.

E para forçar o poder público a garantir esses medicamentos à população, surgem algumas propostas. No estado de São Paulo, a Assembleia Legislativa aprovou um projeto de lei que cria a nota fiscal da saúde. A ideia é que o estado reembolse os pacientes que não conseguem o remédio de graça e precisam comprá-lo. A compensação para o bolso do paciente seria com créditos fiscais.

O projeto ainda precisa ser sancionado pelo governo do estado e uma possibilidade é que o reembolso seja feito em uma conta vinculada ao CPF do comprador.

Respostas

Ministério da Saúde: A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde diz que todos os estados estão abastecidos com os imunossupressores para os pacientes transplantados.  Informou, ainda, que a compra do medicamento Vigabatrina, para epilepsia, é feita pelos estados, com posterior reembolso pelo Ministério. Já o medicamento Levetiracetam, também usado no tratamento contra epilepsia, entrou para a lista dos remédios essenciais em setembro do ano passado e deve ser distribuído até março.

Secretaria do Estado da Saúde/SP: Em nota, a Coordenadoria de Assistência Farmacêutica esclareceu que os medicamentos Tacrolimo e Micofenolato de Sódio, para epilepsia, são adquiridos e distribuídos aos estados pelo Ministério da Saúde, que tem feito entregas irregulares desde 2017. Afirmou ainda que o O Governo Federal tem aprovado somente 75% do total solicitado e entregou menos da metade. O Vigabatrina está em falta no mercado e a pasta está em contato com o fabricante exclusivo do produto (Sanofi-Aventis Farmacêutica Ltda.) para que a situação seja normalizada.

Por: Renato Biazzi | Fonte: Jornal Hoje

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Descarte de medicamentos controlados dentro da validade é investigado em Santa Maria

Junto de 1,5 mil frascos foram encontrados documentos da Secretaria de Saúde do município que, segundo a prefeitura, são de acesso restrito. Material foi percebido por moradores

Frascos de antibiótico usado contra doenças infecciosas são encontrados no lixo no RS (Foto: Reprodução/RBS TV)

Polícia Civil investiga o descarte de medicamentos controlados em uma rua da Zona Sul de Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. Junto dos frascos havia documentos da Secretaria de Saúde do município que, segundo a prefeitura, são de acesso restrito. As ampolas continham antibiótico para controlar infecções.

"As penicilinas são muito importantes, ainda têm aplicação muito grande em algumas doenças, é de importância para a sáude pública. Existem alternativas para substituir, mas são mais caras e não tão eficientes como a penicilina", explica o doutor Alexandre Schwarzbold, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologistas do Rio Grande do Sul.

Foram moradores que encontraram o material. "Até reclamei muitas vezes disso aqui na prefeitura. Isso aqui é uma contaminação, tem de tudo aqui dentro", diz o aposentado Vilmar de Menezes.

Pela numeração dos lotes que estavam nos frascos encontrados, a prefeitura identificou que os medicamentos realmente eram da Secretaria de Saúde do município. Eles foram comprados a partir de 2014 e distribuídos a duas unidades municipais de saúde.

Em alguns dos documentos encontrados com os frascos também aparece o nome do prefeito, escrito de forma errada. Por isso, a prefeitura entende que pode ter havido falsificação desses papéis.

O que a prefeitura ainda não se sabe é como esses remédios sumiram das unidades. Uma sindicância foi aberta.

"Existe controle? Existe. Mas ainda não está bom, tem que melhorar. A gente agora vai ver como melhorar. Alguma coisa aconteceu, e isso tudo a sindicância vai mostrar. Vai mostrar se foi falha humana, se foi falha de processo, isso tudo vai ser mostrado na sindicância e também na investigação policial", salienta a secretária municipal de Saúde, Liliane Mello Duarte.

"Como se trata de um crime na saúde pública, a gente faz o encaminhamento para a Polícia Civil para ser aberto o inquérito", acrescenta o superintendente de Vigilância em Saúde, Alexandre Streb.

A hipótese levantada pela prefeitura é que esses medicamentos tenham sido furtados. A administração municipal também disse que, sempre que algum medicamento está vencido, é enviado para uma empresa especializada em fazer o descarte correto, e não jogado em qualquer lugar.

Fonte: G1

Esta semana: + uma doação humanitária


Banco de Remédios realiza doação para a Casa de Acolhida Raio de Sol (Av. Guilherme Schell, 4898 - Canoas). Estiveram presentes no ato, Janifer Fagundes (esquerda), cientista politica e socióloga, representando o Banco de Remédios, além de Alexsandra Feijó Severo, técnica de enfermagem, e Douglas Kist Damian, auxliar administrativo, ambos representando a entidade beneficiada.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Com doença rara, menino de SP aguarda há 10 meses que Governo Federal cumpra decisão da Justiça e forneça remédio

Gianlucca sofre de uma doença genética chamada Atrofia Muscular Espinhal (AME). Família não tem condições de comprar medicamento, que custa mais de R$ 400 mil


Um menino de cinco anos, que sofre de uma doença rara, está há dez meses esperando o governo federal cumprir determinação da Justiça de fornecer o medicamento. A decisão é de março de 2017, mas a criança ainda está à espera do remédio.

Gianlucca sofre de uma doença genética chamada Atrofia Muscular Espinhal (AME). Ele vem perdendo casa vez mais os movimentos do corpo.

“E a respiração também. Ele depende de aparelho para respirar e essa semana, né? A fisio teve que aumentar o parâmetro do aparelho. Então, quer dizer, ele tá perdendo mais a musculatura do pulmão”, afirma Kátia, mãe do menino.

O tratamento que impede o avanço da doença e ajuda na recuperação pode ser feito com um remédio caro que vem dos Estados Unidos. Cada frasco custa mais de R$ 400 mil. A família não tem condições de comprar. Em março do ano passado, conseguiu uma liminar da Justiça para que o Ministério da Saúde comprasse o medicamento no prazo de 48 horas.

Em setembro de 2017, a reportagem do SP2 mostrou que a decisão ainda não tinha sido cumprida, o que aumentava o desespero dos pais.

A família pediu e, em outubro, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 2,8 milhões do Ministério da Saúde para compra do remédio. Seria o valor para um ano de tratamento. Mas o dinheiro ainda não apareceu.

No detalhamento da ordem judicial, no dia 23 de outubro, o saldo do Ministério da saúde no banco estava zerado.

Num despacho do dia 24 de outubro, a Justiça ordenou novamente o bloqueio de bens. Desta vez em contas do Fundo Nacional de Saúde. Mas o saldo também estava zerado.

Diante das negativas, no dia 26 de outubro, a Justiça ordenou a expedição de carta precatória de penhora, para que o Banco Central indique onde possa haver recursos. Até hoje, a família aguarda uma resposta.

“Eu peço que essa determinação seja cumprida o mais rápido. Era pra ontem, não pra amanhã”, afirma Kátia.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que não tem contas bancárias. É o Tesouro Nacional que possui uma conta única do governo federal. No final de dezembro, o tesouro liberou os recursos e o Ministério da Saúde iniciou o processo de compra, não só para atender o caso do Gianlucca, mas também outras 12 ações judiciais semelhantes. Segundo o Ministério, ainda não há prazo para a entrega dos medicamentos aos pacientes.

Fonte: G1