quarta-feira, 15 de maio de 2019

Pacientes protestaram contra falta de medicamentos na Farmácia de Pernambuco

Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press

Um grupo de pacientes realizou um protesto, hoje, em frente à Farmácia de Pernambuco, no Bairro da Boa Vista, em Recife. O movimento "Pela Manutenção da Vida" reuniu centenas de pessoas em frente ao prédio da farmácia, localizado na Praça Oswaldo Cruz. O ato visou denunciar a situação de desabastecimento da unidade, que se prorroga há meses, e pedir uma solução. Os pacientes se reuniram por volta das 7h.

De acordo com o pesquisador Charles Albuquerque, 49 anos, mais de 4 mil pessoas estariam correndo risco direto de vida pela falta de medicamentos na farmácia do estado. "Precisamos de uma solução antes que aconteça um genocídio. Meu remédio acabou na farmácia, sou transplantado renal e estou tomando a última remessa em casa. Sexta-feira acaba e, para comprar, são R$ 400", reclamou. Segundo ele, há pacientes que já etariam há um ano sem conseguir pegar remédios na farmácia do estado e estariam conseguindo as substâncias por meio de doações.

Segundo ele, as informações que a Secretaria Estadual de Saúde (SES) estaria repassando aos pacientes seriam desencontradas. "Há pacientes renais, do coração, pulmão, asmáticos, com doenças crônicas, todos precisando de medicamentos. Sabemos que há uma crise no Brasil inteiro, mas aqui em Pernambuco ela já vem se prolongando há décadas quando se fala em medicamentos. Agora, imagina a quantidade de gente que pode ir apara a hemodiálise se não tomar o remédio? Os hospitais não terão como atender", reclamou.

Em fevereiro, 60% de todos os medicamentos que fazem parte da lista da Farmácia de Pernambuco estavam em falta. Em abril, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) realizou uma audiência pública para tratar do tema. O órgão tem um inquérito civil público aberto para investigar a situação há cerca de três anos. "Entramos em contato com a comissão de saúde da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), com o Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE)", disse Charles.

Em nota, a SES informou que o desabastecimento do Programa de Medicamentos Especializados é um problema que tem afetado todos os Estados do país, além do próprio Ministério da Saúde. De acordo com o órgão, 80 fármacos são adquiridos e distribuídos pelo Governo Federal para os entes estaduais. Desse rol, em Pernambuco, com relação ao quantitativo do segundo trimestres deste ano, 35 não foram entregues e outros 11 foram enviados com quantitativos inferiores a 40% da necessidade.

No entanto, a Secretaria disse que está enfrentando a questão e "montou uma força-tarefa com o objetivo de manter os estoques de medicamentos permanentemente abastecidos". O órgão disse ainda trabalhar em um plano de reestruturação da própria Farmácia de Pernambuco para facilitar a rotina dos usuários, melhorar os processos de gerenciamento e entrega de medicações e de visibilidade do próprio serviço.

Neste sentido, a SES assegura ter realizado uma negociação com as empresas fornecedoras, o que permitirá o retorno do abastecimento da Farmácia nas próximas semanas. "De janeiro a abril, mais de R$ 30 milhões já foram pagos às empresas fornecedoras, sendo R$ 27 milhões do tesouro estadual (90,2%). A secretaria estadual de Saúde também solicitou, em audiência no dia 29 de abril, apoio do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para que o órgão auxilie na articulação com as empresas vencedoras de licitações, mas que estão com entregas em atraso, com o intuito do cumprimento dos acordos. Além disso, a Farmácia de Pernambuco mantém diálogo permanente com o Ministério da Saúde para solucionar as faltas e atrasos nas entregas dos remédios encaminhados pelo Governo Federal", declara parte da nota.

Em 2007, a Farmácia de Pernambuco atendia 10 mil pessoas e a rede contava com uma unidade localizada no Recife. Atualmente, o cenário é de 54 mil pessoas atendidas e 32 unidades instaladas em todo o Estado, segundo a SES. Mensalmente, mais de 1 mil pacientes dão entrada em novas solicitações no órgão. "Pernambuco ainda ocupa o posto de maior incorporador de fármacos do SUS no Brasil, com mais 75 novos remédios incluídos na cesta de medicações desde 2010", complementa a nota.

Por: Alice de Souza | Fonte: Diário de Pernambuco

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Remédios fitoterápicos geram saúde e renda para moradores de Jardim Muribeca, em Jaboatão

População utiliza medicamentos feitos com produtos medicinais, preparados por mulheres que desejam complementar a renda. Médico local orienta sobre tratamento


No posto de saúde de Jardim Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, o atendimento do médico Pedro Costa ganha destaque entre os pacientes. Remédios fitoterápicos feitos com plantas medicinais estão entre os receitados pelo profissional e podem ser retirados no Centro de Saúde Alternativa (Cesam). O centro vem gerando renda e saúde para os moradores da área.

"A aceitação da população, uma vez que a gente explica, é boa. São [remédios] bem mais acessíveis, o preço é mais barato, e a gente consegue ter uma resposta mais adequada quando bem prescrito”, afirma o profissional de saúde.

Médico Pedro Costa receita remédios fitoterápicos para pacientes em Jardim Muribeca, em Jaboatão | Foto: Reprodução/TV Globo

A dona de casa Vanessa Lins, mãe de Valentina, de três anos, tem se sentido nervosa ultimamente. “Tenho problemas para dormir, fico me acordando direto e não estou dormindo direito”, afirma.

A indicação médica veio depois de uma conversa. “Vou prescrever extrato de mulungu, de 35 a 40 gotas à noite, aí você vai até o Cesam, que tem um pessoal que orienta”, diz o médico.

Ao lado dos prédios abandonados do Conjunto Muribeca, um espaço de 600 metros quadrados abriga quase todos os materiais usados nos remédios naturais. São extratos que saem de folhas, frutas e cascas de árvores, colhidos por seis mulheres que trabalham em cooperativa e conhecem os segredos das plantas.

Jardim de plantas medicinais fica ao lado de prédios abandonados do Conjunto Muribeca | Foto: Reprodução/TV Globo

“Não pode colher na chuva, não pode no sol quente, tem horário para isso”, diz Jeane Virgínia Lins, que participa das colheitas.

“Eu não levantava mais o braço. Agora posso fazer isso e não sinto nada. A minha diabetes ele controlou, a minha pressão ele controlou”, afirma o aposentado Vandinaldo José, depois de sessões de acupuntura.

O material é levado para um laboratório no primeiro andar do prédio principal, onde começa o processo de transformação das plantas em remédios. As folhas de azeitona, por exemplo, são lavadas com bucha e secadas naturalmente.

“Depois a gente seleciona as folhas, corta, pesa, bota na infusão. Tudo é pesado. Demoram uns 12 dias para ficar tudo pronto”, afirma a auxiliar de manipulação Marluce Santana. Além de tinturas, também são produzidos xaropes (lambedores) e produtos de higiene pessoal.

“A gente faz sabonetes, pomadas, xampus e coisas que são para beleza num dia diferenciado dos dias de lambedor e tintura”, explica a auxiliar de manipulação Arnailda Ferreira.

Plantas medicinais são colhidas por mulheres que desejam complementar a renda com venda de produtos fitoterápicos | Foto: Reprodução/TV Globo

Dessa produção, seis mulheres tiram dinheiro para complementar a renda de casa e garantem que os clientes sempre voltam. Alguns deles, à vontade, têm autonomia para pegar o que querem nas prateleiras.

“Venho comprar tintura de azeitona para fazer doação, principalmente para os meus vizinhos que têm diabetes. Eles controlam com essa tintura”, diz o aposentado João Batista.

Para o fisioterapeuta Alcides Silva, a vida do pai mudou depois de conhecer o Cesam. “Temos um oásis de medicações naturais no meio da cidade. E aqui é fantástico. Meu pai tomava medicações para depressão com orientação médica, nós trocamos pelo mulungu e hoje ele está muito bem”, diz.

O médico Pedro Costa, no entanto, faz um alerta sobre o uso de medicamentos fitoterápicos. “É importante ressaltar que não sejam usados de maneira inadequada. Tem que ser um tratamento sério e com a indicação adequada”, afirma.

Por: Léo Burgos | Fonte: G1

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Doentes crônicos enfrentam o drama da falta de remédios

Dos 134 medicamentos que o Ministério da Saúde tem que comprar e distribuir para os estados, 25 estão em falta ou com entregas insuficientes e 18 têm estoques baixos

Doentes crônicos enfrentam o drama da falta de remédios

Milhares de brasileiros com doenças crônicas ou graves estão sofrendo com a falta de medicamentos caros na rede pública de saúde.

Quando o risco é de sentir muita dor, perder movimentos, o que resta da saúde e até a própria vida, o desespero é grande. “Você está sempre assim: ‘Meu Deus, será que eu vou perder o rim? Será que vou perder meu transplante? Será que vou perder o enxerto?’ Porque essa insegurança não dá, né? Todo tempo isso”, conta a aposentada Dorca Lemes.

E tem sido essa tristeza diária nas farmácias de alto custo, aquelas que fornecem medicamentos para doenças crônicas e graves, remédios que a maioria não pode pagar.

“A sensação que eu tenho é que eu estou perdendo meu pai porque o governo não dá o remédio que ele precisa”, diz a dona de casa Maria Gabriela Lorenzo. “Muito sacrifício. A gente já tentou comprar o remédio, mas é muito caro”, lamenta Maria Terezinha de Jesus, de 71 anos.

O tratamento para esclerose múltipla do vigilante Marcelo Grulke custa R$ 7 mil por mês. Em abril ele ficou sem o remédio que evita ou retarda o avanço da doença. “O temor que tenho é ficar sem esse medicamento de vez, é perder a visão, perder os movimentos, ter que ficar de cadeira de rodas. É muito triste isso”, revela ele.

Já houve tempo em que a falta de um ou outro medicamento poderia ser suprida com uma compra de emergência e até com a camaradagem entre os estados. Se um tinha estoque, despachava para outro que estava sem. Só que agora a falta de remédios de alto custo, fornecidos pelo Ministério da Saúde, é geral. Uma situação crítica em praticamente todos os estados do país.

A dona de casa Tatiane Alves percorre 30 quilômetros para pegar, no Recife, o medicamento para o marido que é transplantado: “São três meses que não tem. Tá aqui o cartão".

Para o aposentado José Roberto Souza, o que falta é o remédio para o diabetes. É básico, mas também fornecido pelo ministério: “Já tenho uma amputação na perna devido à diabete descontrolada. Quando consegui, de oito anos para cá, controlar, a medicação para controlar ela não tem”.

Em Cuiabá, a dona de casa Jaqueline Lisboa não tem como melhorar de uma grave hipertensão pulmonar: “Não consigo nem levantar. É difícil vestir uma camiseta, é difícil vestir um sutiã, é difícil pentear o cabelo, é difícil para amarrar”.

Dos 134 medicamentos que o Ministério da Saúde tem que comprar e distribuir para os estados, 25 estão em falta ou com entregas insuficientes. Outros 18, com estoques muito baixos.

“No momento em que eles faltam na prateleira, deixam de ser um problema meramente administrativo ou da assistência farmacêutica para se transformar numa crise humanitária. E essa crise de abastecimento não pode perdurar sob pena de nós termos graves consequências para os pacientes em todo o país”, afirmou Alberto Beltrami, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conas).

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, diz que encontrou o ministério com alguns estoques de remédios zerados e outros, com o mínimo necessário. E que vai mudar o esquema de compra trimestral para anual.

“A gente pretende zerar o desabastecimento no mês de maio e ter um fôlego de abastecimento contínuo. Ter, na sequência, um estoque regulador para essas medicações; não ter o desperdício, não ter o ‘a mais’ e não ter o ‘a menos’”, declara.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Falta de remédios ameaça dois milhões de pacientes no país


De 134 remédios distribuídos obrigatoriamente pelo Ministério da Saúde, 25 estão com estoques zerados em todos os estados do País e outros 18 devem se esgotar nos próximos 30 dias; O Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) informou que dois milhões de pacientes dependem de remédios que estão em falta ou acabarão em breve.

De 134 remédios distribuídos obrigatoriamente pelo Ministério da Saúde, 25 estão com estoques zerados em todos os estados do País e outros 18 devem se esgotar nos próximos 30 dias, de acordo com informações do jornal O Globo. O Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) informou que dois milhões de pacientes dependem de remédios que estão em falta ou acabarão nos próximos dias. Dentre os já esgotados, estão drogas para tratamento de doenças como câncer de mama, leucemia em crianças e inflamações diversas.

Foram analisados relatórios de dez secretarias estaduais de Saúde e outro documento do  encaminhados ao governo federal cobrando providências para o problema.

Também falta medicação para pessoas que receberam transplantes recentes de rins e de fígado. Em apenas em dez estados, incluindo Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco, mais de 20 mil transplantados dependem dos medicamentos fornecidos pelo governo federal.

Fonte: Brasil 247

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Faltam medicamentos e profissionais na Policlínica do Centro de Florianópolis

Desabastecimento e horário reduzido prejudicam o atendimento


Desoladora a situação da Policlínica do Centro de Florianópolis. Semanas atrás, uma médica pediu demissão, desarranjando toda a agenda de pacientes.

Há dias que a vacinação contra a febre amarela e a entrega de medicamentos básicos é feita só até as 13h por não ter funcionários na parte da tarde. Pior: vários remédios acabaram, os pacientes são obrigados a comprar diante do desabastecimento.

Na quinta-feira passada, não houve vacinação contra a gripe por falta de vacinadores. Sexta-feira, só uma profissional atendia a demanda que não era pequena. As senhas terminaram por volta das 15h30 e muita gente foi lá à toa.

A espera pelo atendimento era de, aproximadamente, meia hora – rápido, se considerarmos que tinha apenas uma funcionária na porta, uma no computador e uma na aplicação.

Por: Marcos Cardoso | Fonte: ND+

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Pacientes sofrem com falta de remédios contra dengue

Os principais dispositivos de tratamento contra a doença estão em falta em diversos Centros de Saúde da cidade; Prefeitura diz que situação é pontual

Paciente a espera de atendimento contra Dengue | Foto: Denny Cesare/Código19

Os pacientes com dengue estão com dificuldades para encontrar os remédios para tratamento da doença em diversos CSs (Centros de Saúde) de Campinas. Há falta no estoque das unidades e a Secretaria de Saúde informou que o problema é corrigido diariamente.

A cidade tem 5.493 casos de dengue confirmados desde o começo do ano. Foram 1.913 novos casos em uma semana - aumento de 53,5% em relação ao dia 15, quando havia sido divulgado o último balanço. Os números foram confirmados na última segunda-feira (22).

A maior falta está no Hioscina em comprimidos. De acordo com o levantado pela reportagem do ACidade ON, 37 unidades não possuem o medicamento utilizado para tratar diarreias, sintomas comuns na dengue. O Metoclopramida, usado para o mesmo fim, falta em 12 unidades.

Em relação aos medicamentos para combater as dores, como paracetamol e dipirona, o primeiro não é encontrado em oito unidades de saúde e o segundo está em falta em sete centros de saúde.

Já os sais para reidratação oral, utilizado para o paciente não ficar desidratado, falta em 15 unidades de saúde. Ele é um dos principais dispositivos para o tratamento contra a dengue.

Os servidores, inclusive, estão pedindo para as pessoas fazerem o caseiro, já que ele não é achado nestes centros de saúde.

Investigação

De acordo com a secretaria, há anda 1.734 casos suspeitos em investigação. Campinas vive uma epidemia de dengue causada principalmente pelo tipo 2 do vírus da doença, que não circulava na cidade havia dez anos - com isso, é alto o número de pessoas que não tiveram contato com o tipo do vírus, o que facilita sua circulação.

Ainda segundo o boletim da Saúde, não há mais nenhuma morte por dengue confirmada na cidade. Desde janeiro foram dois óbitos, um ainda considerado suspeito - de uma jovem de 19 anos - e um confirmado, de uma bebê de 5 meses.

Outro lado

A Secretaria de Saúde informou, em nota, que o cronograma de reabastecimento das unidades tem uma sistemática, ocorre numa rotina pré-estabelecida. Em situações de sazonalidade, o consumo é maior e os estoques baixam muito rapidamente.

Neste momento, por conta do aumento de casos de dengue, a Secretaria de Saúde se organizou para repor os insumos específicos para o tratamento dos pacientes o mais rapidamente possível. Ainda assim, pode ocorrer de unidades terminarem seus estoques antes de serem reabastecidas.

"Quando isto acontece o gestor da unidade comunica seu superior para que o estoque seja reposto o mais breve possível. Todos os dias tem unidades sendo reabastecidas. Nesta sexta-feira, por exemplo, são oito unidades. Na segunda-feira, mais uma leva e assim sucessivamente", informou a pasta.

Por: Thiago Rovêdo | Fonte: ACidadeON Campinas

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Falta de remédios para quimioterapia afeta pacientes com câncer em hospital público de Campinas

Hospital Municipal Dr. Mário Gatti está com 8 substâncias em falta há cerca de 20 dias. Prefeitura afirma que medicamentos devem ser disponibilizados em até 10 dias

Recepção do setor de oncologia do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti | Foto: Luiz Granzotto/PMC

O Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas (SP), está com 8 medicamentos para quimioterapia em falta no dia 25 de abril. As substâncias são usadas no tratamento de pessoas com diversos tipos de câncer pelo SUS, e não são disponibilizadas desde o início do mês. A Prefeitura confirma o problema e diz que os remédios devem ser repostos em até 10 dias.

"A falta dos medicamentos se deu por conta de problemas no processo de compra, que é feito por meio de licitação pública", justifica a Rede Mário Gatti, por nota.

"Dependo desse tratamento para ter a minha cura. Se eles sabiam que a medicação não ia dar para todo o mês, porque não fizeram a compra antes? Um dia pra gente é muito importante. Você pode ter uma regressão", contesta Adriana Amorim, paciente com câncer de mama.

Lista de medicamentos em falta

  • Bleomicina (em falta no mercado)
  • Anagrelida
  • Metotrexato 50mg
  • Ciclofosfamida 50 mg
  • Ciclofosfamida 200 mg
  • Metotrexato 1000mg
  • Tamoxifeno 20 mg
  • Paclitaxel 150 mg

No caso de Anagrelida e Metotrexato 50mg, o processo de compra é emergencial, pois, segundo a Prefeitura, "na licitação não houve empresa interessada no fornecimento dos produtos, o que possibilita a compra direta".

No caso da Bleomicina, a Prefeitura ainda não se posicionou sobre qual seria um substituto.

Medicamentos já repostos

Nesta semana, outros remédios chegaram a ser relacionados em uma lista exposta no hospital sobre substâncias em falta, mas, segundo a administração municipal, já foram repostos. São eles:

  • Daunorrubicina (está em falta no mercado, mas foi substituído por Mitoxantrona)
  • Docetaxel 20
  • Docetaxel 80
  • Carboplatina 450 mg
  • Cisplatina 50
  • Cisplatina 100

Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas (SP), está com medicamentos para quimioterapia em falta | Foto: Reprodução/EPTV

Pacientes afetados

A Prefeitura não informou quantos pacientes tiveram o agendamento de sessões de quimioterapia cancelados. Disse, em nota, que "não é possível dimensionar, uma vez que a agenda é dinâmica e a interrupção do tratamento pode se dar não só por falta de insumos, mas por questões clínicas do próprio paciente".

Aos 45 anos, a auxiliar administrativa Adriana Amorim foi surpreendida pela notícia da falta do remédio quando chegou para a sessão agendada, no dia 24 de abril. Ela tem câncer de mama, já passou por cirurgia e esta era a última das quatro sessões do seu tratamento. Adriana depende do término para iniciar a radioterapia.

"Não foi só eu, foram várias pessoas. Só soubemos na hora que a gente entrou para a consulta", conta.

Adriana Amorim faz quimioterapia no Hospital Mário Gatti, em Campinas, e não conseguiu fazer a última sessão por falta de medicamento.| Foto: Arquivo pessoal/Adriana Amorim

Segundo ela, um dia antes das sessões, os pacientes fazem coleta de exames. Ela esteve no hospital no dia 23 de abril, mas não foi avisada mesmo assim.

"É perigoso não ter a medicação correta no tempo correto. Meu tratamento está atrasado. Estou me sentindo lesada, estão fazendo pouco caso da minha doença. Não acho justo. Não é fácil receber o diagnóstico, precisar do tratamento e não receber o tratamento. É revoltante, muito revoltante".
Adriana diz que registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil por negligência da Prefeitura de Campinas e da direção do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti.

Após a publicação da reportagem, Adriana recebeu contato da Prefeitura reagendando a sessão dela de quimioterapia para esta sexta (26), já que o medicamento dela foi reposto nesta quinta.

Apesar do que aconteceu com Adriana, a administração municipal explicou que a orientação da Rede Mário Gatti é que os pacientes "sejam avisados com antecedência sempre que houver alguma intercorrência com relação aos tratamentos realizados nas unidades hospitalares".

Dentre os pacientes que realizam a quimioterapia no Mário Gatti, os que dependem de substâncias que não estão em falta não tiveram as sessões afetadas.

"A composição da quimioterapia varia de acordo com o tipo de doença desenvolvida por cada paciente, ou seja, foi possível manter o tratamento daqueles que não dependiam das drogas em falta", informou a Prefeitura.

Fonte: G1